ARTIGO

Virus delivery

Laerte Silva

Desde que a Covid-19 virou assunto diário, entramos em quarentena e tivemos isolamento social, nossa vida passou por modificações e o comportamento de todos acabou sendo determinante para frear a circulação da doença. A rotina de trabalho depois do home office foi modificada pelo uso de equipamentos de proteção individual e coletivos, regras de serviço pelo distanciamento e redução de atendimento. As escolas e o comércio fecharam, e no que diz respeito às compras, se antes não nos preocupávamos com as embalagens vindas do supermercado e de outros lugares, sua higienização passou a fazer parte do “protocolo” doméstico.

A pandemia forçou assim a mudança de paradigmas e os serviços de entrega de refeições e outros mais acabaram ganhando terreno, abrindo espaço para mais prestadores de serviço. Uma acomodação, contudo, é natural com o retorno gradual das atividades, mas as entregas continuam, é boa a praticidade, enfim, um filão de economia e sobrevivência, mas inevitável fazer uma observação, isto é, com o aumento das entregas, por moto ou bicicleta, a aglomeração de entregadores em vários pontos comerciais também ocorreu, especialmente em shoppings centers com o delivery de comida, deixando evidente uma contradição quanto a medidas de proteção.

Com toda a rotina de distanciamento, apesar de alguns entregadores zelosos, outros reúnem-se para conversa enquanto aguardam o chamado da empresa, sentam no chão, ficam sem máscara e acionados retiram o produto a entregar sem os cuidados que esperamos. Sem a consciência da proteção própria e de terceiros, todo cuidado de uma família pode ir por água abaixo nesse descuido. Proteção cem por cento não teremos, cada um precisa fazer sua parte, mas o que não precisamos é de vírus delivery, o que as empresas podem ajudar fiscalizando.

Laerte Silva é advogado


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