EM CASA

Um período de mergulho interno e atualização de Adelaide Swettler

REFLEXIVA E PRODUTIVA Entre as telas produzidas por Adelaide Stwettler nesta fase de quarentena estão muitas paisagens, motivos principais de sua arte. (Foto: Eisner Soares)
REFLEXIVA E PRODUTIVA Entre as telas produzidas por Adelaide Stwettler nesta fase de quarentena estão muitas paisagens, motivos principais de sua arte. (Foto: Eisner Soares)

Primeiro a pausa total, em março. Depois, tempo para “curtir a família”. Na sequência, um mergulho interno, e só então a produção de novas telas e o retorno das aulas de pintura. Essa é uma boa maneira de resumir os meses mais recentes da vida da artista plástica Adelaide Lawitschka Swettler, que vive em Mogi das Cruzes desde a infância.

Antes da pandemia do novo coronavírus, Adelaide, que está com 75 anos de idade e 35 de carreira, tinha 20 alunos. As técnicas de pintura eram ensinadas no ateliê dela, no mesmo terreno de sua residência, no Alto Ipiranga.

Além das aulas, outros planos foram cancelados. “Eu tinha combinado com a Secretaria de Cultura que faríamos uma exposição solo, em março, e outra com meus alunos em setembro”, comenta. “Mas não tem problema! A gente deixa para o ano seguinte. A saúde vem em primeiro lugar”.

Esta é apenas uma das várias reflexões que ela vem fazendo desde que a Covid-19 se tornou uma realidade. “Em primeiro lugar eu curti muito minha família. Em segundo, curti minha casa. E depois meu ateliê”, comenta ela, que num primeiro momento limpou e organizou a própria morada: “deixei tudo brilhando”.

Mas, como Adelaide lembra, “uma hora acaba tudo isso”. Quando chegou este momento, o olhar naturalmente se voltou ao ateliê. Após o almoço – uma refeição “mais gostosa” do que o normal, com mais calma e tempo à mesa – ela ia para lá, todos os dias, para pintar.

Entre as telas produzidas agora nessa fase estão muitas paisagens, motivos principais de sua arte. Há uma de Minas Gerais; outra retratando a primavera; mais uma com uma árvore quaresmeira; outra sobre a cidade de Paraibuna.

Também há outros estilos. “Pintei dois quadros para o 7º Salão de Artes Plásticas de Mogi das Cruzes; pintei uma encomenda, um quadro de São Jorge para uma senhora; pintei uma rosa vermelha e também algo mais abstrato”.

Ainda que nem todos os clientes tenham ido buscar, as várias encomendas pendentes estão todas prontas, o que antes era impossível de fazer de uma vez só, devido à falta de tempo livre. “Atualizei tudo”, resume Adelaide.

É no mesmo ateliê feito de vidro onde a artista esteve sozinha por meses que agora começam a retornar algumas alunas. Por enquanto, duas crianças voltaram a ter aulas: uma que faz uso da arte como terapia e vem sentindo falta disso desde o início da quarentena, e outra que é hiperativa e se acalma a cada novo toque do pincel na tela.

O retorno não exclui o medo de contrair ou infectar alguém com o novo coronavírus, como frisa Adelaide. “Todos têm medo. Eu também tive medo de dar aulas, mas acho que a arte nos deixa mais maleáveis e calmos, então estou tranquila agora”.

A tranquilidade não é irresponsabilidade, já que a artista considera ter aprendido a “lidar com a situação”, com muito álcool gel e cuidado. “Higienizo tudo, todo santo dia, mesmo não tendo aula”, diz.

Lecionar online não seria uma saída para que todos os estudantes retornassem? “Não, porque meus alunos produzem temas diferentes. Se eu desse aula pela internet teria que ser todos produzindo igual, então o que fiz é falar para eles pintarem em casa se sentirem vontade, mas não como um exercício”.

Com alunos idosos e também crianças, a aula de Adelaide depende muito do encontro físico, presencial. “São seções de três horas, com um intervalo regado a café, chá, bolachinha. E muito bate-papo, muita conversa”, finaliza a artista, que sente falta deste convívio.


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