Um passeio por Mogi de 100 anos atrás

Do projeto de instalar em Mogi uma linha de bonde restou apenas a foto de 1911, do que pretendia ser o início das obras / Foto: Arquivo Pessoal
Do projeto de instalar em Mogi uma linha de bonde restou apenas a foto de 1911, do que pretendia ser o início das obras / Foto: Arquivo Pessoal
A década de 1911 a 1920 encontrou Mogi das Cruzes com cerca de 16 mil habitantes. Uma população pequena para os padrões de hoje. Mas também para aqueles tempos, se considerar-se que o Município de Mogi, com seus 16 mil habitantes, englobava as terras hoje dominadas pelos municípios de Suzano, Poá, Arujá, Itaquaquecetuba e Biritiba Mirim: sim, todos estes atuais municípios faziam, entre 1911 e 1920, parte da área territorial de Mogi das Cruzes.

Foi nesse cenário que, durante o ano de 1913, chegou a Mogi um jovem médico. Era Deodato Wertheimer, que marcaria para sempre seu nome na história da Cidade. O dr. Deodato veio a pedido do então prefeito, Francisco de Souza Franco, para atender a uma de suas filhas, Josefina, casada com o professor Adelino Borges Vieira. Deodato era assistente, em São Paulo, de um conhecido clínico geral que não pôde atender ao chamado da paciente e enviou o jovem médico. Que veio e não mais voltou: casou-se aqui com Leonor, também filha de Souza Franco, e colocou consultório na Cidade. Onde faria carreira como clínico e político. Fundou a primeira maternidade de Mogi, que levou o seu nome e elegeu-se vereador, prefeito e deputado.

Lançou planos para a construção de várias estradas: Mogi ao Alto da Serra, a Salesópolis, Santa Branca, Santa Isabel e um novo caminho para São Paulo e teve papel destacado no combate à epidemia de Gripe Espanhola, que grassou em 1918.

Também instalou a primeira rede de galerias pluviais de Mogi, substituindo as antigas valetas a céu aberto; urbanizou os largos do Carmo e do Rosário (Praça João Pessoa) e pavimentou a ladeira do Ipiranga. Chegou mesmo a iniciar, como prefeito, a abertura de uma nova estrada para São Paulo, obra que, na década seguinte, seria assumida por seu amigo, o presidente Washington Luiz como parte da estrada entre São Paulo e Rio de Janeiro. Deodato Wertheimer também seria vítima da maior injustiça pública já cometida nesta Cidade: no dia 24 de outubro de 1930, Getúlio Vargas colocou abaixo o governo de Washington Luiz. Em Mogi, o poder derrocado era representado por Deodato Wertheimer. Tão logo chegou à Cidade a notícia da revolução vitoriosa, dezenas de getulistas tomaram de assalto a residência de Deodato, queimando móveis e depredando-a por completo.

Mas, se a população de Mogi das Cruzes era pouca àquele tempo, grande era a consciência comunitária de sua gente. Do que são prova as várias iniciativas empreendidas nessa área. A década começou com a inauguração, em 1911, dos serviços de água e esgotos e a assinatura de um contrato, nunca levado avante, para a criação de linhas de bondes elétricos. Ainda em 1911 começou a circular em Mogi o primeiro táxi, foi inaugurada a sala de cinema do Parque Mogiano, na atual Rua Ricardo Vilela e fundado, em junho, o Centro Espírita Antônio de Pádua, que por muitos anos manteria a Maternidade da Mãe Pobre e a, ainda ativa, Creche Fraternidade.

Entre 1912 e 1913 foi ampliado o Mercado Municipal, que teve sua área triplicada na Rua Flaviano de Mello e urbanizado o Jardim Público (Praça Oswaldo Cruz). Também em 1913, com quatro horários em cada sentido, passaram a circular os trens de subúrbio entre São Paulo e Mogi das Cruzes. Grande solução para as sofridas viagens entre as duas cidades que, de carro, demoravam cerca de sete horas. Nesse mesmo ano – mais uma ação comunitária – fundou-se o União F.C. e, no ano seguinte (1914), o Instituto Dona Placidina. O colégio funcionou até 1937 na Rua Padre João, quando então se transferiu para suas atuais instalações, construídas em área de propriedade de Yayá Mello Freire, a milionária mogiana que, declarada interdita, morreria em 1961 sem deixar herdeiros. Também em 1914 foi inaugurado o novo prédio do atual Grupo Escolar Coronel Almeida, no Largo da Matriz. E, nesse mesmo ano, morreria um dos homens mais ricos que a Cidade já teve: Benedito Estelita Álvares viveu por muito tempo com os rendimentos que a herança de seu pai adotivo lhe garantia. Mas perdeu tudo em meio a disputas judiciais pelo patrimônio. Também nesse período foi feito o loteamento do atual Bairro do Vila Santista, a um tempo em que a Cidade tinha cerca de 1.200 eleitores e exatas 37 linhas telefônicas. Em 1919 iniciou-se a construção do Leprosário Modelo de Santo Ângelo e foi fundado o Vila Santista F.C. Nesse mesmo ano chegou à Cidade a família de Shiguetoshi Suzuki, tido como precursor da imigração japonesa na região.

No último ano da década (1920) a comunidade decidiu fundar uma instituição que, desde então, passaria a ter grande importância na vida local: a Associação Comercial e Industrial de Mogi das Cruzes. Foram seus fundadores e primeiros diretores: Emílio Navajas, Júlio Aragão Cardoso, Frederico Straube, Ângelo Pereira Passos, José Barroso, Adelino Torquato, Isidoro Boucault, Manuel de Souza Mello Freire, Francisco Afonso de Mello e João Baptista dos Santos Cardoso. (Fonte: “História de Mogi das Cruzes/Isaac Grínberg/2ª Tiragem/1961).

CARTA A UM AMIGO

O primeiro assalto, sempre há um
Por anos a fio, entre as décadas de 1940 e 1960, a Cantina Mogiana, na Rua Dr. Deodato Wertheimer, foi o point gastronômico da Cidade / Foto: Arquivo Pessoal
Por anos a fio, entre as décadas de 1940 e 1960, a Cantina Mogiana, na Rua Dr. Deodato Wertheimer, foi o point gastronômico da Cidade / Foto: Arquivo Pessoal
Alberto meu caro
Aceitei seu desafio e fui à cata do primeiro assalto a banco ocorrido em Mogi das Cruzes. Pelo que entendemos, por assalto a banco decidimos que seria a uma agência bancária daqui excluídos, portanto, aqueles ao trem pagador em Sabaúna e o que conterrâneos nossos protagonizaram em São Paulo.
Pelo que apurei, o primeiro assalto a banco em Mogi das Cruzes foi no dia 14 de outubro de 1983, há quase 32 anos. Com lances dignos de produção cinematográfica. A começar pela ousadia política dos bandidos, que bradavam no interior da agência do Banco Noroeste: “Estamos aqui por causa do Delfim, vai receber dele”, referindo-se ao todo poderoso Delfim Neto, o czar da economia durante a etapa final do regime militar.
O gerente era Admar Watanabe, subjugado por quatro ladrões que saíram levando Cr$ 11,5 milhões (equivalentes hoje a pouco menos de R$ 200 mil).
Ao final a ação, o gerente contou que atendia a um cliente, por volta das 14h30, quando um desconhecido, armado, exigiu que ele abrisse o cofre da agência e colocasse todo o dinheiro num saco com capacidade para 600 quilos. Enquanto isso, outro assaltante dominava o vigia e outros dois, próximos ao balcão, impediam qualquer movimentação no interior da agência.
A ação foi rápida e eles fugiram levando o cliente José Pedro Oliveira como refém, em um Volkswagen de outro cliente. Abandonaram o refém e o Volks a poucas quadras e fugiram em outro carro. Nunca mais se teve notícias do bandidos que, desafiaram, com o assalto, uma máxima até então vigente na polícia local: com a facilidade de bloqueio dos acessos à Cidade, assaltos a banco seriam impossíveis por aqui.
Grande abraço do
Chico
 
O MELHOR DE MOGI
O cuidado e carinho que moradores de Taiaçupeba dedicam à Capela de São Sebastião, no Distrito. Exemplo de responsabilidade comunitária e de apreço às tradições locais.
O PIOR DE MOGI

Procura-se mogiano que domine os idiomas dos cavalos, bois e vacas. Tratar com a vereadora Ana Karina Pirillo, na Câmara Municipal.
 
SER MOGIANO É…
… contar aos filhos – também a netos – os motivos pelos quais as salas de cinema do Mogi Shopping têm os nomes Urupema, Parque, Odeon, Avenida, Vera Cruz, Carlos Gomes e Central.

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