ARTIGO

Toma lá, dá cá

José Francisco Caseiro

ciesp@ciespaltotiete.com.br

É no mínimo desanimador que num ano totalmente atípico, de economia fora do prumo e muitas incertezas, as discussões recaiam novamente na ressuscitação da antiga CPMF, desta vez na versão de um tributo que a princípio incidiria apenas sobre operações digitais, mas que agora membros da equipe econômica do Governo admitem que abrangeria todas as transações da economia.

Pior ainda é usar a proposta do novo imposto como moeda de troca pela desoneração da folha de pagamento das empresas para geração de empregos, no melhor modelo de toma lá, dá cá.

A reforma tributária, que há tanto tempo é reivindicada e necessária, não pode ficar sujeita a criação de mais impostos. Pelo amor de Deus, o Brasil já tem uma das maiores e mais complexas cargas tributárias do mundo. Aumentar mais taxas com o argumento de geração de emprego é contraditório a tudo.

Um levantamento atual da CNI (Confederação Nacional da Indústria) mostra que para instalar uma siderúrgica no Brasil o custo é 10,6% mais alto do que em outros países, justamente por conta dos tributos sobre bens e serviços. Isso explica porque oito em cada dez empresários reprovam o sistema tributário brasileiro, que tem sua origem ainda na década de 60 e é um fator de desestímulo aos investimentos.

Enquanto não tivermos um sistema tributário simplificado e justo, de nada adiantará o potencial de localização, condições climáticas, matéria-prima e mão de obra existente no Brasil. E, definitivamente, não será criando mais impostos que empregos serão gerados e a economia vai crescer.

José Francisco Caseiro é diretor do Sistema Fiesp/Ciesp no Alto Tietê


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