PRESENCIAIS

Secretaria de Educação de Mogi inicia consulta sobre o retorno às aulas

REDE MUNICIPAL Prefeitura consulta pais e professores para decidir sobre a volta dos alunos às salas de aula para retomar as atividades. (Foto: arquivo)
REDE MUNICIPAL Prefeitura consulta pais e professores para decidir sobre a volta dos alunos às salas de aula para retomar as atividades. (Foto: arquivo)

A exemplo de outras cidades, a Secretaria Municipal de Educação abriu ontem uma consulta pública para que pais, responsáveis, comunidade e profissionais da área possam opinar sobre o retorno das aulas presenciais. A retomada ainda não tem data prevista e o objetivo da Administração Municipal é ouvir os pais e assegurar a saúde e segurança de crianças e profissionais. O Governo do Estado, no entanto, projeta o retorno das aulas presenciais, com regras e de maneira gradual, a partir de setembro.

Para responder à consulta, os interessados deverão acessar o portal da Secretaria Municipal de Educação (https://portal.sme-mogidascruzes.sp.gov.br/pages/consulta-publica-covid). “Mantemos um diálogo constante com outras cidades e decidimos abrir uma consulta pública para ouvir os pais sobre o retorno das aulas. Procuramos entender a realidade das pessoas e as preocupações de pais e professores com a retomada”, afirma o prefeito Marcus Melo (PSDB)

O usuário deve preencher os dados, responder pesquisa e clicar em salvar para que a resposta seja computada. Só é possível responder uma única vez por CPF. Não há prazo final determinado para o fim da pesquisa, segundo informa a Prefeitura. “Vamos ouvir os pais e analisar se é o momento cabível de retorno ou não, sempre com o objetivo de preservar saúde de nossos alunos, funcionários e também dos familiares”, diz a secretária municipal de Educação, Juliana Guedes.

A rede municipal atende 47.392 alunos em 209 escolas e supervisiona as escolas particulares de educação infantil. Neste período de pandemia, os alunos da rede municipal estão participando de vídeoaulas por meio do projeto Para fazer em Casa, desenvolvido pelo Departamento Pedagógico da Pasta.

Segundo a pasta, os professores estão dando o suporte para alunos de acordo com o estabelecido por cada escola, por meio de redes sociais, grupos de trabalho criados no WhatasApp/Telegram, e-mails, reuniões virtuais e encaminhamento de material impresso caso o aluno não possua acesso virtual.

Sem vacina, mães discordam da reabertura

Larissa Rodrigues

TEMOR Elaine, mãe de João Vitor e Lucas, defende abertura em 2021. (Foto: divulgação)

Dentro da programação do Plano São Paulo, estipulado pelo Governo Estadual, as aulas presenciais poderão voltar parcialmente a partir do dia 8 de setembro. Para que isso seja permitido, a cidade precisará estar na fase amarela por 28 dias consecutivos, o que poderá ser o caso de Mogi das Cruzes. Ainda assim, algumas mães têm registrado nas redes sociais o receio com a medida e afirmam que, por segurança, não mandarão os filhos para as unidades de ensino, mesmo que eles estejam sujeitos a perder o ano letivo.

“Nem mesmo os adultos conseguem tomar as precauções necessárias. Você anda nas ruas e vê um monte de gente que não usa nem a máscara no local correto. Imagina como vão ser as crianças fora de casa. Eles falam em reduzir o número de alunos nas escolas. Isso talvez seja possível na rede particular, mas na rede pública é muito difícil. Na sala do meu filho são 35 estudantes e na escola toda o número é ainda maior”, pondera Aline Santana, de 34 anos, que é mãe de Lucas, de 9.

Ela tem ainda uma filha de 3 anos, Isabela, que não frequenta a escola. Ainda assim, levar o menino para as aulas presenciais seria uma preocupação por um possível contágio para a pequena. Além disso, Aline explica que muitas vezes precisa recorrer à ajuda da mãe para que tome conta das crianças enquanto ela trabalha e que também não poderia levar o risco de transmissão da Covid-19 para a avó das crianças.

Aline é corretora de imóveis e tem trabalhado no esquema de homeoffice, poucas vezes precisa ir ao stand de vendas. Enquanto está em casa, busca ajudar Lucas nas atividades remotas. Ela afirma não saber se essas lições serão suficiente para o ano letivo, mas que é preferível perdê-lo do que aumentar os casos da doença. A mãe só voltara a levar o garoto para a escola quando uma vacina for disponibilizada.

Esta é também a vontade de Eliana Ribeiro, 42 anos. O filho João Vitor Ribeiro, de 21, cursa direito na universidade, enquanto Lucas Vinicius, de 17, está no terceiro ano do ensino médio. Ela diz que mesmo que eles estejam em anos importantes do estudo – já que um está no ensino superior e o outro no último ano antes de prestar vestibular – não acredita que este seja o momento da retomada, porque ainda não há preparo para isso.

“Existe o risco dos meus filhos se contaminarem, mas além disso existe todo o perigo interno na escola e na faculdade. Não são só os alunos, mas também os professores e outros funcionários. A propagação pode ser muito grande. Ainda têm os familiares de todas essas pessoas e isso vai acabar saindo fora do controle. O conhecimento, o estudo e a economia a gente recupera depois, mas a vida não e é nisso que temos que pensar agora”, comenta Eliana.

A mogiana pensa ainda que seria muito difícil controlar os estudantes nas escolas, dos mais novos até os mais velhos, porque eles não têm o hábito de seguir severamente as regras. Desta forma, não usariam as máscaras de maneira correta, não respeitariam o distanciamento recomendado e não adotariam as medidas de higiene. Por isso, ela diz que a retomada deve acontecer somente no próximo ano.


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