EDUCAÇÃO

Retomada de aula presencial é discutida

DIFÍCIL Disseminação da Covid-19 é preocupação para volta às aulas. (Foto: arquivo)
DIFÍCIL Disseminação da Covid-19 é preocupação para volta às aulas. (Foto: arquivo)

O retorno às aulas presenciais previsto para o próximo mês também tem movimentado os professores da rede estadual de Mogi das Cruzes, que ainda não veem cenário seguro para receber os estudantes nas escolas. Eles vêm discutindo o assunto com o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), segundo a educadora Inês Paz, que é filiada ao grupo. Eles pontuam a falta de estrutura e a circulação do novo coronavírus como principais fatores para a manutenção do ensino à distância este ano. No próximo dia 11, às 19 horas, os professores da cidade se reunião online com a comunidade escolar para tratar do assunto.

A consulta pública realizada pela Secretaria Municipal de Educação de Mogi das Cruzes, que teve maioria dos pais votando contra a volta às aulas presenciais este ano (veja mais nesta página), também reflete o desejo dos educadores. Ela pontuou ainda a decisão do ABC Paulista, região que decidiu que as escolas vão receber os estudantes apenas no ano que vem.

Ainda de acordo com Inês, o Governo do Estado está sofrendo pressão das escolas particulares. “Assisti à entrevista em que o secretário de Saúde não estava, mas um representante da escola particular falava que eles estão perdendo dinheiro, que têm estrutura para reabrir. Ali, a gente conseguia ver que a preocupação não é com o aprendizado do aluno”, diz.

Segundo Inês, os professores têm tentando se reunir com o governador, para que ele construa esse retorno às aulas da forma mais ampla possível, com participação do sindicato, alunos, responsáveis, mas tanto ele quanto o titular da pasta estadual, Rossieli Soares, não estão com o diálogo aberto. Ela diz que eles têm se referido ao assunto grave apenas com classificações em fase. “E ainda nem mesmo as escolas oferecem a estrutura para tal retorno, cumprindo os protocolos sanitários”, pontua.

“Precisa ter um aparelho na entrada para a pessoa higienizar a mão, é necessário reservar uma área para isolamento, caso o aluno ficar isolado caso manifeste algum sintoma durante a aula e tem que desinfetar e limpar toda a escola a cada mudança de turno. Não pode ter bebedouro, tem de instalar o acrílico no banheiro, não pode compartilhar talher e copo, é preciso reposição da máscara a cada três horas. Tem uma série de medidas colocadas que, realmente, não estão sendo feitas nas escolas”, diz.

A Secretaria de Estado da Educação informou que ainda não há definição final de que as aulas serão retomadas no dia 8 de setembro. Para que isso ocorra, pelo menos 80% do Estado precisa estar na fase amarela 14 dias antes e 100% na data da retomada. Caso contrário, quando chegar a este período, a recontagem recomeça. A pasta informou ainda que o Estado deverá ouvir a opinião de pais e responsáveis.

Consulta online revela que a maioria descarta retorno

A consulta pública sobre o retorno às aulas na rede municipal de Mogi das Cruzes terminou ontem. De acordo com os dados divulgados no portal, 27.044 pessoas participaram, das quais 24.131 (89%) optaram pelo “não” à pergunta “você é favorável à retomada das aulas presenciais em Mogi das Cruzes ainda em 2020, caso haja a possibilidade?”. Já a minoria, com 2.931 (11%), respondeu pelo sim.

A secretária municipal de Educação, Juliana Guedes, explicou que a consulta pública é a primeira etapa de algumas que a pasta precisa cumprir. “Vamos entender que hoje, esquecendo a pesquisa, o poder público precisa tomar decisão em cima daquilo que ele encontrar legalidade. O primeiro passo é ter fundamento, por isso a gente começa ouvindo a população. Aí a gente lançou mão da pesquisa”, contou.

Os dados agora vão basear uma discussão interna na Secretaria Municipal de Educação. Em seguida, eles serão encaminhados para avaliação do Conselho Municipal da Educação. No entanto, não há data para que essa fase seja finalizada. Guedes lembrou que ainda existem etapas que o Governo do Estado está avaliando, antes de bater o martelo do retorno em setembro.

Porém, desde o final do mês de junho, a secretaria iniciou a compra de termômetros e álcool em gel e trabalha em um possível protocolo de retomada das aulas presenciais.

Sobre a possibilidade destas aulas voltarem e uma parcela dos pais optarem por não mandar os filhos, a secretária diz que este assunto integra a discussão atual sobre o tema. “Hoje o direito da criança ir à escola prevalece ao direito do pai de querer mandar ou não. Hoje também o que a família tem é uma salvaguarda de um percentual de faltas que podem ser dadas. Dependendo do retorno às aulas presenciais, a gente pode saber quanto de falta que a família assume. A Secretaria de Educação não vai eximir ninguém de fazer o seu ano letivo em casa. A gente tem trabalhando para isso, mas em algum momento haverá a retomada”, pontuou.


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