ARTIGO

Renovação

Quando o processo eleitoral se aproxima, principalmente no âmbito municipal como neste ano, é comum que candidatos(as) ao cargo de vereador se apresentem com seus planos de atuação, o que é salutar, buscando o convencimento do eleitor com novidades para dele ganhar o voto. O Brasil, contudo, tem um processo eleitoral ruim, aqui sendo repetitivo, pois permite a reeleição sem limites no Legislativo, de onde percebe-se que a longevidade de mandatos acaba criando um vínculo político exagerado de alguns eleitos que, eleição após eleição, vão solidificando seus nomes nem sempre pela atuação exemplar, mas porque presentes na mídia, nos eventos de inauguração, e também, muitas vezes por presidir a câmara de vereadores.

Daí minha opinião pessoal que um político não deveria ter mais do que dois mandatos no cargo para o qual se elegeu. A permissão cria caciques, donos de partido, permitindo relações distorcidas do que é ser um vereador e com uma atuação forçando capital político para servir interesses individuais, como assistencialista e não como um legislador e fiscal do Poder Executivo.

Essa situação estabelece uma distância entre o que é ser um vereador numa cidade ideal e numa cidade real. Normalmente os municípios brasileiros, com exceções, têm uma realidade triste que é a situação fiscal precária, faltando recursos para ações na área de mobilidade, saúde, educação e saneamento, por exemplo. Com isso, criam-se pequenos nichos assistencialistas por parte de alguns, os quais, ao contrário de buscar e lutar por soluções para o coletivo, acabam usando seus mandatos para potencializar eleitores e votos futuros, até mesmo envolvendo-se em corrupção. Bem por isso, a cada quatro anos os eleitores da cidade real precisam filtrar quem deve ser seu representante, sem esquecer a necessária renovação. Laerte Silva é advogado


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