COVID-19

Região terá apenas 10 dos 90 leitos prometidos para pacientes com Covid-19

ANÁLISE O prefeito Adriana Leite, presidente do Condemat, destaca que a prioridade hoje, do Governo do Estado, é combater o avanço da pandemia nas cidades do interior, e lembra que o déficit regional é de leitos de UTI. (Foto: arquivo)

Ao invés dos 90 leitos prometidos para o tratamento da Covid-19, o Hospital das Clínicas (HC) Auxiliar de Suzano deverá abrir hoje dez de 20 vagas de enfermaria – um recurso que não atende ao pedido regional que precisa, hoje, de mais opções para a internação dos pacientes graves em Unidade de Terapia Intensiva. “Leitos de enfermaria, para casos leves, nós temos. A nossa defasagem maior e histórica, aliás, está na falta de UTI”, afirma o prefeito Adriano de Toledo Leite, de Guararema, ao comentar o recuo do Governo do Estado.

O Diário publicou reportagem, ontem, afirmando que os novos 60 leitos no Centro de Reabilitação Terapêutica Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, em Mogi das Cruzes, prometidos, estão condicionados a uma piora da capacidade de internação.

Adriano Leite preside o Consórcio para o Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê, o Condemat, órgão que responde pelo programa de enfrentamento à pandemia em nome de 11 cidades.

Desde março, a estruturação se deu com a construção dos hospitais de campanha e a segmentação do tratamento à nova doença, em endereços de referência, nas cidades maiores do Alto Tietê. Porém, os investimentos mais altos e qualificados na rede pública seriam realizados pelo Governo do Estado.

“Nós até recebemos respiradores do Estado e do Ministério da Saúde. Em alguns hospitais, como o Regional de Ferraz de Vasconcelos, tivemos alguma melhoria, mas situações como a do HC de Suzano, que há anos, aliás, espera pela abertura de mais leitos à população, e de Itaquaquecetuba, que precisa de mais atenção, não foram concretizadas”, reportou o prefeito.

O Condemat tem questionado interlocutores estaduais como o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, sem respostas favoráveis.

No caso do HC de Suzano, segundo o prefeito, a Secretaria alega ter enfrentado dificuldade na contratação de uma empresa e de mão de obra especializada para a atuação em UTI – uma situação vivida no território nacional e que abriu uma outra caixa de pandora: o apagão de profissionais gabaritados para o tratamento intensivo.

Porém, esse argumento não afaga a insatisfação regional. Ainda que os dados epidemiológicos das últimas semanas apontem para uma tendência de desaceleração dos casos graves e de mortes, o deficit de UTI no Alto Tietê caminha para ser mantido ao final da pandemia.

“Enfermaria não é o nosso deficit”, reforça o presidente do Condemat, antes de admitir que uma mudança nessa toada, agora, vai ficando mais distante. “Temos que considerar que a prioridade hoje, do Estado, é cuidar do interior, onde o número de casos avança, enquanto na nossa região, ele se retrai”, admite ele. (veja matéria nesta página).

O HC de Suzano deverá abrir, de forma gradual, 20 leitos a partir de hoje. A princípio serão ativados dez vagas, que serão administradas pela Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross). O plano inicial era de se ampliar 10 leitos de UTI e 80 de clínica médica. O prédio que receberá o recurso é novo, tem 120 leitos, custou R$ 31 milhões, e a ocupação completa está em fase planejamento, segundo a Secretaria de Estado da Saúde.

Região tem indicadores para chegar à nova fase

Com indicadores que até ontem se enquadravam nos critérios de capacidade do sistema de saúde e da evolução da epidemia, as cidades do Alto Tietê esperam migrar da fase laranja para amarela do Plano São Paulo para a flexibilização das atividades sociais e comerciais.

Apesar do conforto dessa situação, a definição sobre a qualificação depende dos dados de ontem e de hoje, e da decisão do Governo do Estado.

Ontem, Adriano de Toledo Leite, prefeito de Guararema e presidente do Consórcio para o Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) demonstrava segurança sobre o novo passo que possibilitará a abertura de serviços e estabelecimentos como bares, restaurantes e academias, mas com a adoção de regras sanitárias.

Um índice não alcançado na semana passada refere-se à média semanal de novas internações, que leva em consideração a comparação com a semana anterior. Ontem, a média regional de internação foi de 73 leitos, o que dava ao Alto Tietê a condição de se encaixar na zona 3 da flexibilização, que exige um indicador de 0,5 e 1,0. Na semana passada, esse número foi maior do que 1.

Nos quatro outros quesitos, Mogi das Cruzes e Região tem as condições de se estabelecer na fase laranja.

Em uma avaliação sobre o enfrentamento da pandemia, Leite acredita que o pior momento já passou. “As estatísticas mostram um quadro mais estável e acredito que, agora, a população está respeitando mais as normas, e o poder público ganhou mais experiência para não permitir, por exemplo, uma abertura desenfreada do comércio e atividades”, disse.

Segundo o presidente do Condemat, não há uma avaliação obre o impacto da pandemia na economia do Alto Tietê. Ele comentou, entretanto, que alguns setores já começam a apresentar uma leve recuperação na comparação com abril, e confirmou que as prefeituras de cidades menores, como Biritiba Mirim e Salesópolis, completamente dependentes de receitas mais afetadas, enfrentarão dificuldades.

Questionado sobre uma segunda onda de casos, o prefeito assinalou que as cidades estão melhor preparadas, e encerrou: “Deus queira que não ocorra”.


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