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VIOLÊNCIA

Vítima de tiros desferidos por guarda de Mogi diz que ameaças eram antigas

Pedro Azpilicueta, morador de César de Souza, passa bem após ter sido alvo de tentativa de homicídio

O Diário
24/11/2022 às 09:01.
Atualizado em 24/11/2022 às 15:23

Vizinhos discutiram em frente ao portão da casa da vítima, quando, na sequência, ele foi baleado pelo guarda municipal (Reprodução)

Morador de César de Souza, Pedro Azpilicueta, de 29 anos, usou as redes sociais para falar da violência sofrida por ele, na quarta-feira (23), quando foi baleado por um vizinho, que é guarda municipal licenciado de Mogi das Cruzes. O crime ocorreu na Avenida Ricieri José Marcatto.

Segundo familiares da vítima, o autor já havia ameaçado o vizinho em outras oportunidades durante discussões sobre o lixo na calçada. Vídeos circulam em redes sociais mostrando a tentativa de homicídio, como consta no boletim de ocorrência feito pelo 3º Distrito Policial de César de Souza.

Nas imagens, também é possível ver um homem andando com um cachorro na calçada e jogando em frente à casa do vizinho que foi baleado, uma casca de banana. 

O autor dos disparos não havia se entregado à Polícia até a quarta-feira. O Diário não conseguiu contato com a defesa do guarda municipal, que foi afastado da corporação por determinação do prefeito Caio Cunha (PODE).

De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima estava dentro de casa quando foi atingida. Pedro Azpilicueta recebeu os primeiros socorros da UPA do Rodeio.

Nas redes sociais, ele comemorou o fato de estar vivo e indicou que o conflito com o vizinho era antigo. "Não era de hoje, isso que é f....E se fosse diferente ? E se eu não pudesse compartilhar isso ou o resto da minha vida? To chei de dor, com um buraco de bala atravessado das costas pra barriga, eai? O que muda? To vivao kraio e vou permanecer assim!".

Um outro post, de 2018 e escrito Ana Terra Azpilicueta, revela o temor da família diante de ameaças e do conflito entre os vizinhos por causa de uma situação fútil: o lixo na calçada.

Neste relato, há a denúncia: "Semanas atrás meu vizinho apontou uma arma para o meu pai. (Sim, isso aconteceu de verdade!). Eu sinceramente não o conheço, pois passo pouco tempo aqui. Não sei de onde veio, que tipo de pessoa é... Sei que numa discussão boba sobre quem estava jogando lixo na calçada de quem, ele apontou uma arma na testa do meu coroa". Isso, em 2018 - naquela oportunidade, aliás, em um comentário posterior, Ana Terra Azpilicueta afirma que o então secretário municipal de Segurança Pública acompanhou o pai dela à delegacia, e teria garantido que as ameaças cessariam.

Prefeitura de Mogi

Por meio de nota, a Prefeitura de Mogi esclarece que o agente municipal não usava arma da Guarda Municipal e estava em licença. O prefeito Caio Cunha fez a seguinte declaração: "Sobre o guarda municipal que atirou em seu vizinho, em um episódio totalmente injustificável, já determinei a abertura de uma sindicância contra o servidor e trataremos o caso com máximo rigor. As investigações e sanções já estão sendo conduzidas pela Polícia Civil e daremos todo suporte aos trabalhos. À família da vítima, prestamos toda nossa solidariedade e apoio."

Já a Secretaria Municipal de Segurança informa que o guarda municipal estava licenciado do trabalho e que a arma utilizada não pertence à Prefeitura -"ele não fazia parte das equipes que utilizam arma de fogo no exercício das funções".

Depois do fato, o guarda foi afastado administrativamente e responderá uma sindicância pela Prefeitura de Mogi das Cruzes, conforme determinação do prefeito. 

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