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JUNDIAPEBA

Vídeos de guardas municipais imobilizando síndico de condomínio repercutem na internet

Confusão aconteceu em conjunto habitacional de Jundiapeba nesta terça-feira; confira o que cada lado diz

O Diário
14/09/2022 às 17:56.
Atualizado em 14/09/2022 às 17:57
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JUNDIAPEBA

Vídeos de guardas municipais imobilizando síndico de condomínio repercutem na internet

Confusão aconteceu em conjunto habitacional de Jundiapeba nesta terça-feira; confira o que cada lado diz

O Diário
14/09/2022 às 17:56.
Atualizado em 14/09/2022 às 17:57

Repercutem nas redes sociais vídeos que mostram agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) de Mogi das Cruzes imobilizando e arrastando o síndico de um condomínio de Jundiapeba, na cidade. Na confusão, acompanhada por moradores do local, um dos guardas também empurrou a esposa do administrador, que caiu no chão. Sob muitos gritos, a ação ocorreu por volta das 16h20 desta terça-feira (13). O síndico chegou a sofrer um mal súbito e foi socorrido pelos agentes até a Unidade de Pronto Atendimento do bairro. Hoje, ele passa bem.

Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança diz que foi preciso usar "força moderada" e que foi tentado diálogo com o homem, "mas ele permaneceu hostilizando os guardas municipais" (Veja a resposta completa abaixo). A reportagem questionou a Prefeitura se a conduta dos agentes será investigada, mas não teve respostas sobre isso. 

Do outro lado da história, o síndico Francisco Evaldo relatou seu ponto de vista a O Diário e criticou o tratamento dado a moradores daquela região. "Pedi organização e falaram que aqui só tem traficante e usuário, ofenderam duas mil famílias, são pessoas de bem", criticou ele. 

O desentendimento teria começado quando Evaldo reclamou após os agentes pularem o muro do condomínio sem informar a situação ao responsável pelo prédio. A Guarda contou para O Diário que perseguia dois suspeitos de tráfico de drogas, que fugiram para o condomínio.

No momento da confusão, moradores aproveitaram para filmar. A briga também foi captada por uma câmera de segurança do condomínio. As imagens circulam nas redes sociais de moradores do bairro.

Nas imagens é possível ver o momento que o síndico aborda os agentes. Instantes depois ele é imobilizado por um dos guardas e arrastado até o lado de um muro. A mulher dele chega para defender o marido mas é empurrada por um agente após se aproximar e caí no chão.

Enquanto Francisco Evaldo é carregado, moradores gritam com os agentes. "Vai matar ele", diz uma mulher no meio da ação. Os agentes também são hostilziados. 

Francisco Evaldo sofre problemas cardiacos. A briga provocou um mal súbito e ele precisou ser socorrido até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Jundiapeba, pelos agentes.

O caso ocorreu no conjunto habitacional Jundiapeba 4, localizado na rua Dr. Francisco Soares Marialva. Nesta via, estão localizados diversos condomínios similares, onde residem milhares de famílias. 

"Os guardas alegaram que houve desacato por parte do síndico e que iriam conduzi-lo até a delegacia, mas em momento algum houve resistência, ele apenas solicitou que a viatura adentrasse no estacionamento e que ele entraria normalmente", comentou Marcela Santos, moradora do local que presenciou a situação.

"Temos uma problema no condomínio de controle de todo tipo de gente. Eu estava fazendo um serviço na portaria e me informaram que uma pessoa estava pulando o muro. Quando eu vejo essas coisas eu chamo a atenção. Eu cheguei nas proximidades e questionei a tal pessoa 'O senhor está pulando o muro', só depois eu percebi que se tratava de um agente", relata o síndico. 

Francisco Evaldo afirma que prosseguiu os questionamentos perguntando o motivo da abordagem. "Disse que aqui não é 'casa da mãe joana', precisa ser organizado, algo parecido. Mas aí o guarda falou 'aqui só tem traficante e usuário'", revolta-se com a generalização entre todos os residentes. 

"Depois disso eu perdi a linha, porque ele me incluiu e incluiu todas as famílias daqui como traficantes", conta o sindico indignado. 

"Começamos a discutir e já neste momento chegaram mais dois guardas, dizendo que eu estava desacatando eles e que iam me levar para a delegacia".

Mais uma vez, Francisco conta que questionou a ação. "Baseado em quê? Eu perguntei. Disse que eles também precisavam seguir as leis". 

"Depois perguntaram. 'Você é advogado por acaso para saber de lei'", relata o síndico. "Eu sou um cara de diálogo, mas dessa vez eu não consegui segurar. Eu me senti ofendido e que ofenderam muita gente bacana", repete, inconformado. 

Após isso a confusão se desenrolou. "Disseram que iriam me levar para o DP (Distrito Policial), começaram a me agarrar e me puxar. e falaram para me algemar", acrescenta. 

"Eu não deixei me algemarem. Eu não sou vagabundo, não devo nada a ninguém. Depois disso começaram a me arrastar enforcado", continuou. "O desrespeito começou da parte deles. Eu fiquei estressado sim, porque me acusaram de algo que eu não sou. Eu fiquei estressado não só por mim. Temos dois mil moradores ali, muita gente do bem, para ele dizer que ali dentro só tinha traficante e usuários", relata mais. 

Durante o desentendimento, a esposa dele partiu para cima dos agentes. "Ela disse que cuidavámos de uma comunidade aqui. Depois disso, (eles) disseram mais uma vez que ali só tinha traficante", relata Francisco Evaldo. 

"Eu sou cardíaco, passei mal e fiquei no Upa até por volta das 23 horas. Um manutencista que trabalha comigo também passou mal". 

Para ele, a ação teve "muitos erros sequências". E argumenta: "Entraram na rua direto e subiram o muro sem ter o menor motivo. Eles alegam que um morador pulou do 3 para o 4 (número do condomínio) , mas as imagens não mostram isso, o que eles falaram não tem o menor fundamento"

A principio estiveram presdentes quatro agentes. Depois encaminharam umas cinco viaturas".

"Depois de tudo isso, ainda queriam me levar da UPA algemado, o que acabou não acontecendo" 

Francisco pretende registrar um boletim de ocorrência e conta que tem recebido apoio dos moradores do local. "Nós procuramos sempre fazer o que é certo", conta. 

 O outro lado

Em nota encaminhada para O Diário, a Secretaria Municipal de Segurança informa que, nesta terça-feira (13), uma equipe da Guarda Municipal perseguia dois suspeitos de tráfico de drogas, no distrito de Jundiapeba.

"Durante a fuga, os homens invadiram um condomínio. Como se tratava de caso de flagrante, a lei autoriza que os agentes de segurança entrem na propriedade para tentar capturar os suspeitos e garantir a segurança dos moradores. No entanto, um homem, que se identificou como síndico do local, entrou na frente dos guardas municipais, questionando-os e atrapalhando a perseguição. Com isso, os suspeitos conseguiram fugir", informa a pasta. 

A secretaria diz ainda que foi tentado diálogo com o homem, mas ele permaneceu hostilizando os guardas municipais, o que incentivou outras pessoas a terem o mesmo comportamento.

"Assim, foi dada voz de prisão por desacato e o homem resistiu, sendo necessária a utilização de força moderada, para a garantia de segurança de todos", informa. 

O caso foi apresentado junto à Central de Flagrantes, da Polícia Civil. Na ocorrência, também foi apreendida grande quantidade de drogas, que estava em uma sacola abandonada por um dos suspeitos durante a fuga, segundo destacado pela secretaria. 

A reportagem questionou a Prefeitura se a conduta dos agentes será investigada, mas não obteve resposta sobre isso.

Perguntou  também quais são os canais para reclamações sobre eventuais reclamações e exageros durante as abordagens e qual a orientação que os agentes possuem para agir em situações que envolvam moradores, mas não teve resposta.  

 Debate

Nas redes sociais cresce o debate sobre o caso. Alguns internautas apontam falta de respeito das abordagens no bairro. Outros reclamam de pontos de droga a "céu aberto" nos condomínios. 

"Isso que eu não entendo, a população reclama que tem um ponto de venda de drogas em cada esquina de Jundiapeba e a polícia não faz nada, aí quando a polícia tenta fazer alguma coisa pra coibir, os moradores reclamam também, vai entender", trouxe uma internatura. 

"Infelizmente (os agentes da) GCM são despreparados para abordar qualquer situação. Já presenciei situação onde eles não têm respeito por ninguém. É lamentável", trouxe um relato avaliando pelo outro lado. 

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