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Um dos traficantes mais procurados do Brasil é preso em Poá

Anderson Lacerda Pereira, o Gordão, também fechou contratos milionários sem licitação em Arujá, onde era conhecido por mandar na cidade.

O Diário e Agência O Globo
06/09/2022 às 08:24.
Atualizado em 06/09/2022 às 15:55

Anderson Lacerda Pereira, conhecido como Gordão, estava em um restaurante em Poá quando foi preso (Reprodução - TV Diário)

Na tarde desta segunda-feira (5), um dos traficantes mais procurados do Brasil – Anderson Lacerda Pereira, conhecido como “Gordão”, – foi preso em um restaurante em Poá. O criminoso tem grande ligação com o Alto Tietê, já que, de acordo com a Polícia, fechou contratos milionários sem licitação em Arujá, onde era conhecido por mandar na cidade. Ele ainda teria usado a Saúde pública para expandir seus negócios.

Gordão era procurado pela Polícia desde 2017 e foi incluído na lista da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) em 2020. Ele é acusado de enviar cocaína para países da Europa e ganhou fama, em 2014, ao intermediar uma venda da droga entre o chefe do PCC, Marcola, e uma perigosa máfia italiana.

Em seu modo de agir, Anderson, segundo a Polícia, se inspirava, principalmente, no narcotraficante colombiano Pablo Escobar. Ele também tinha outras inspirações, como o traficante internacional mexicano Amado Carrilo Fuentes. O traficante conseguiu criar um império de luxo e era dono de um sítio onde criava araras, macacos e até mesmo jacaré.

Para tentar enganar a Polícia, ele vinha se hospedando em motéis. Em um deles, foi flagrado pelas câmeras de segurança no dia 15 de agosto, acompanhado pela esposa.

Além do tráfico, Gordão teria montado mais de 30 clínicas médicas e odontológicas na Grande São Paulo. Ele também comprou mais de 15 casas de alto padrão em Arujá.

Nesta segunda, o braço direito de Anderson, identificado como Jânio, também foi preso. Ele foram levados para o 8º DP, em São Paulo, onde seguem detidos. Os dois deverão ser transferidos para um presídio de segurança máxima.

Prisão

De acordo com o delegado Paulo Eduardo Rabello, do 103º Departamento de Polícia, responsável pela prisão, Pereira é um dos três maiores traficantes do Brasil e seu patrimônio é estimado em R$ 130 milhões.

"Junto com a mulher, ele tem 27 clínicas odontológicas usadas para lavar o dinheiro do tráfico. Apesar de nunca ter sido pego com um grama de droga na mão, era traficante internacional e fornecia até para Ndrangheta, a máfia italiana", afirmou Rabello.

Embora nunca tenha sido batizado pela facção criminosa paulista ligada ao narcotráfico, Pereira é um de seus maiores colaboradores. Segundo Rebello, ele comprava drogas do narcotraficante Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, que já foi o maior fornecedor de armas e drogas da organização criminosa.

As investigações apontaram que ele foi um dos pioneiros na exportação de drogas da facção para Europa, inaugurando uma nova modalidade de venda, a de consórcio, em que traficantes dividem os custos do container para o envio.

Em 2020, Pereira foi um dos alvos da operação "Soldi Sporchi", ou Dinheiro Sujo, da Polícia Civil, que teve o cumprimento de 60 mandados de busca e apreensão e 22 mandados de prisão temporária contra suspeitos de envolvimento em lavagem de dinheiro. Segundo a polícia, Pereira aproveitou os conhecimentos de protético dentário do pai para abrir clínicas de odontologia e, mais tarde, médicas.

Segundo a polícia, Pereira fechou contratos milionários, sem licitações, usando a prefeitura de Arujá, na região metropolitana de São Paulo. Também era conhecido por mandar na cidade e usava a Saúde pública para expandir seus negócios.

As clínicas, de acordo com os investigadores, eram usadas também para atender integrantes da facção baleados em confrontos, uma forma de burlar a notificação obrigatória de casos como esses à polícia.

Pereira, segundo os investigadores, era proprietário de mais de 20 casas num condomínio de luxo em Arujá. Uma das mansões, de cinco andares, tinha um túnel que levava para a rua. Ainda de acordo com as investigações, ele se inspirava em traficantes internacionais, como o mexicano Amado Carrilo Fuentes e o colombiano Pablo Escobar.

Casa abandonada

Segundo o delegado Rabello, a polícia chegou a Pereira por meio de seu comparsa, Jânio Nascimento Barroso, de 39 anos. Em novembro do ano passado, uma denúncia levou os policiais a uma casa abandonada que funcionava como um centro de distribuição de drogas. Ali, foram encontrados mais de 3 mil pinos de cocaína e crack, 900 porções e anotações do tráfico. Barroso era quem administrava o local.

"Ficamos impactados ao saber que ele era ligado a um traficante tão grande. Era ele quem ajudava o Anderson a se esconder. A partir dai, colocamos seis policiais para investigá-lo, durante 90 dias, 24 horas por dia", contou Rabello.

Segundo o delegado, para continuar foragido Pereira se hospedava em diferentes motéis. Imagens de circuito interno mostram ele se encontrando com a esposa em um desses locais no último dia 15 de agosto.

No momento da prisão, Pereira almoçava com Barroso num restaurante de comida do Norte. Ele não estava com documentos, mas não negou ser um dos traficantes mais procurados do país. Os dois foram presos e serão encaminhados para audiência de custódia.

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