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NO HOSPITAL LUZIA

Suspeita de racismo: médico é preso em Mogi após briga

Profissional foi afastado das atividades; um boletim de ocorrência foi registrado e uma sindicância foi aberta pela direção do Hospital Luzia de Pinho Melo

O Diário
08/08/2022 às 16:41.
Atualizado em 08/08/2022 às 18:24

Bertaiolli defende reabertura ao público do PS do hospital, referência em todo Alto Tietê

Repercute em Mogi das Cruzes o caso de um médico plantonista, de 41 anos, que foi preso pela Polícia Militar (PM) por suspeitas de negar atendimento a uma paciente, de 34 anos, no Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, no Mogilar, ofender o acompanhante dela de forma racista e ainda "peitar" e desacatar um policial com xingamentos. Tudo isso teria ocorrido neste domingo (7). O profissional, que é boliviano, foi afastado das atividades. 

Em nota encaminhada para O Diário, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) diz que lamenta o ocorrido e é contrária a qualquer ato de racismo. A pasta informa que, "imediatamente após a ocorrência, foi aberta sindicância interna para apurar a denúncia" e frisa que médico "em questão foi afastado de suas atividades". 

Um boletim de ocorrência foi registrado na Delegacia Seccional de Mogi e narra o começo do caso. O documento traz a versão de familiares, que contaram ter procurado atendimento no hospital Luzia após a paciente citada sofrer uma convulsão. A mulher chegou ao local desmaiada. Na unidade de saúde, o cunhado e irmã procuraram uma funcionária, que foi chamar o médico. 

Segundo o boletim de ocorrência, o profissinal de saúde conversou com a família momentos depois e informou que a mulher deveria ser levada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). 

O cunhado dela teria respondido “o senhor nem é daqui, como está mandando ela ir pra UPA?”. Segundo o documento, o homem contou à polícia que não sabia que aquele era o médico, pois o profissional estava sem jaleco ou crachá.

Após ser questionado, o médico teria insinuado que o familiar estava sendo preconceituoso com a nacionalidade dele.

Eles começaram a discutir. O profissional teria se exaltado e feito ofensas, entre elas, teria chamado o cunhado de “preto racista”.

Segundo o boletim de ocorrência um policial testemunhou a briga. O agente relatou que ao chegar no local o agente teria encontrado os familiares em uma "discussão acolorada" com o médico plantonista do setor de emergência. 

O policial contou ainda que a irmã o procurou informando que a familiar havia passado mal e se encontrava desmaiada no interior do carro. Com ajuda de funcionários, ela foi colocada em uma cadeira de rodas e levada para o interior do hospital. 

Já próximo da entrada do Pronto-Socorro, teria tido o contato com o médico. O irmão indagou: "o senhor vai socorrer esta senhora ou não vai?", tendo repetido a pergunta. 

O boletim informa que "o médico, além de não responder ao questionamento, começou a tentar inverter a situação, se colocando em posição de vítima, ao começar a repetir: "você está com racismo contra mim?". O irmão teria continuado os questionamentos e o médico teria se limitado a responder "pôr para lá", dirigindo a palavra a outros funcionários do hospital, que conduziram a mulher até a emergência. 

Segundo o boletim, em seguida o médico "ficou extramamente exaltado", indo para cima do declarante o "peitando", chegando a praticamente encostar seu próprio rosto na face do declarante, gritando exaltado. 

"Devido a exaltação" do médico, outros profissionais de saúde se aproximaram para intervir, tentando afastá-lo, momento que o indiciado proferiu dizeres como "seu policial de bosta". 

Para a Polícia, familiares da paciente teriam contato que ela teve caso grave de crises convulsivas e que já foi atendida no Luzia outras vezes. Além disso, afirmam ter ouvido de funcionários da UPA que a unidade não tem estrutura para receber a mulher.

Após toda a confusão, os envolvidos foram ouvidos na Delegacia Seccional de Mogi. Um técnico de enfermagem também compareceu e confirmou a confusão, mas disse que os xingamentos foram recíprocos. 

Pronto Socorro

O atendimento do Pronto-Socorro do Hospital Luzia de Pinho Melo é tema de polêmicas na cidade, que foram reacendidas recentemente com pedido de reabertura do equipamento à população feito por vereadores de Mogi. Porém, a proposta foi descartada pelo Estado. 

Há mais de um ano, o local só atende pacientes encaminhados que chegam de ambulâncias encaminhadas pelas Unidades de Pronto Atendimentos e outros equipamentos de saúde da cidade. 

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