Após constatar "incoerências" no depoimento, a Polícia Civil em Poá solicitou a prisão temporária de Ricardo Reis de Farias e Vieira, pai adotivo que morava com os três irmãos que morreram após o quarto em que dormiam pegar fogo na madrugada desta quarta-feira (17), segundo informado pelo delegado responsável pelo caso, Eliardo Jordão, do DP Central da cidade, em entrevista à TV Diário

O Ministério Público aprovou o pedido de prisão temporária. Até as 20 horas desta quarta-feira (17), faltava o aval da Justiça. Ricardo permanecia na delegacia. 

O delegado destacou que "a prisão temporária não acusa ninguém, é uma prisão processual, um instrumento jurídico para viabilizar o interesse das investigações" e foi solicitada após a Polícia identificar contradições no depoimento prestado por ele. 

Alguns fatos também chamaram a atenção dos policiais: "Não era comum o bebê de dois anos dormir nesse quarto, mas ele foi encontrado neste quarto, que estava trancado. Quem trancou e porque estava trancado? Só a investigação poderá esclarecer todos esses detalhes", disse o delegado. 

De acordo com Jordão, neste momento ainda não é possível esclarecer a causa do incêndio. Ele contou que tudo leva a crer que o fogo começou no quarto das crianças, onde foi apreendido um celular. Durante a tarde, a Polícia Científica e funcionários da Defesa Cívil de Poá periciaram o local em busca de respostas. Uma nova perícia deverá ser solicitada.

"A partir do momento que tomamos conhecimento da peculiaridade do caso estamos checando todas as possibilidades para conseguir uma resposta o mais rápido possível, porém com toda a cautela", finalizou a autoridade. 

Até o início da noite desta quarta-feira, os corpos das três crianças continuavam no Instituto Médico Legal (IML). Após liberação, os corpos deverão ser sepultados nesta quinta-feira (18), no Cemitério da Paz, em Poá.

  

O caso

Às 4h57 desta quarta-feira (17), o Corpo de Bombeiros foi acionado para conter um incêndio em uma residência na rua Fernando Pinheiro Franco, na Vila Real, em Poá. As vítimas eram Fernanda, 14 anos, Gabriel, 9, e Lorenzo, 2, adotados anos atrás por Ricardo e Leandro José Reis de Faria e Vieira. Eles já não estariam mais juntos, como um casal, e os filhos estavam na casa de Ricardo quando o fogo começou.

Para a operação foram enviadas oito viaturas dos Bombeiros, além de uma do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

O delegado explicou que Ricardo estava dormindo em sua casa, na rua Fernando Pinheiro Franco, na Vila Real, quando acordou por conta da fumaça. Ele tentou ir até o quarto onde as crianças dormiam, mas não conseguiu entrar. Por isso, foi à unidade da Polícia Civil para pedir ajuda.

Ao chegarem à residência, os policiais arrombaram a porta, mas também não conseguiram entrar por conta do fogo. A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram acionados e ajudaram na localização dos três corpos.

O corpo de Fernanda foi encontrado no banheiro. O irmão, Lorenzo, estava no centro do quarto das crianças. Já o corpo de Gabriel estava próximo a uma janela.

"O trabalho pericial está sendo feito. O Ricardo dá essa versão e a gente ainda está na pendência para confirmar alguns detalhes. Confirmando isso, ou não, a gente consegue dar uma prévia, algum direcionamento. Neste momento, a gente trabalha com todas as possibilidades, não descarta nada. Mas até agora, a suspeita não recai sobre ninguém", afirmou o delegado na manhã desta quarta-feira (17).

De acordo com vizinhos, a família morava no imóvel havia cerca de sete meses.