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Motorista de aplicativo recusa corrida e atropela mulher em Suzano

Condutor do veículo decidiu não aceitar a corrida devido a um carrinho de bebê que seria colocado no porta malas, mas ao invés de cancelar a viagem, atropelou a mãe da solicitante

Heitor Herruso
21/06/2022 às 16:27.
Atualizado em 22/06/2022 às 15:22

Assim como certamente muita gente fez, Letícia Ferreira Lino dos Santos, 26 aproveitou o feriado de Corpus Christi para reunir a família. Por isso, na última quinta-feira (16), foi, com o esposo e as duas filhas - uma de seis anos e outra de oito meses - para a casa da mãe, na rua Manoel dos Reis, no Jardim Europa, em Suzano. Na hora de ir embora, pediu um carro por aplicativo. Mas não esperava que o motorista, além de recusar a corrida, atropelasse sua mãe, Maira Lino, 44.

Para o trajeto, que de acordo com Letícia leva apenas três minutos de carro, a família solicitou uma corrida pelo aplicativo 99. O motorista não demorou a chegar, e a princípio não pareceu discordar que um carrinho de bebê fosse colocado no porta malas do veículo, um Hyundai HB20.

“Quando colocamos o carrinho, ouvimos que ele estava falando alguma coisa. Ele disse que era para tirarmos, para não estragar o tampão. Estava bem grosseiro, bem bravo. A gente se assustou, e o porta malas já estava fechado. Não tinha estragado”, conta Letícia a O Diário.

Ela está acostumada a colocar o item desta mesma maneira em outros veículos acionados via aplicativo, e até aqui, nunca tinha enfrentado problemas. Mas o motorista, Reinald de Paula, disse “tira, tira, tira”.

Surpresos com esta decisão do condutor, os membros da família perguntaram se o carrinho poderia, então, ser acomodado no banco da frente. “Ele falou: ‘também não. Imagina, não vai por nada”, continua Letícia.

Depois dessa frase, o silêncio tomou conta da rua Manoel dos Reis, até que Maira, mãe de Letícia, pediu que Reinald cancelasse a corrida, alegando que ele estava se recusando a atender o chamado.

Sem cancelar o trajeto, “ele entrou no carro, fechou a porta e colocou o cinto, falando coisas que não compreendemos”, segue Letícia. Na sequência, Maira se apoiou e “descansou os braços sobre o vidro do carro”, para saber o que o homem dizia.

A família entendeu que Reinald estava indignado pois, para colocar o carrinho, deveriam ter chamado outra categoria de carro, segundo ele. Letícia diz que houve insistência, mas sem discussão, pelo cancelamento da corrida, e que o motorista se irritou com isso, dizendo “eu cancelo se quiser, vocês vão ter que pagar”. Em seguida, ele saiu “disparado, cantando pneu com o carro”. “Estava desequilibrado", contam as vítimas.

Ao fazer isso, ele foi para frente, mas logo precisou dar ré. Neste processo, a porta do HB20 estava aberta, e com força, atingiu Maíra, que foi atropelada e rolou para trás, batendo a cabeça na calçada. Toda a ação foi registrada em vídeo, por uma câmera de segurança instalada em uma das casas da rua.

Maíra ficou no chão, enquanto Letícia tentou correr atrás do veículo. A intenção dela era fazer com que Reinald parasse para socorrer a vítima. E como a rua Manoel dos Reis não tem saída, ela achou que isso seria possível. Mas o carro deu meia volta e passou direto pela família outra vez.

Por isso, mais tarde o caso foi registrado no 2º DP de Suzano como “omissão de socorro”, além de "atropelamento" e "lesão corporal culposa na direção de veículo automotor".

Diante da não prestação de socorro, a família ligou para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que levou Maira para a Santa Casa de Suzano, onde ela ficou internada por um dia inteiro.

Agora ela “está bem”, garante a filha, mas “com bastante dor”. Letícia diz que, devido a uma “luxação no crânio” a mãe não pode “fazer muito movimento”. O caso ficou ainda mais complicado já que Maira, 44 anos, trabalha como motogirl e havia sofrido um acidente de moto 28 dias antes de se ser atropelada.

O Diário solicitou uma nota de esclarecimento sobre o caso ao aplicativo 99. A empresa disse que "assim que tomou conhecimento" do caso, "mobilizou uma equipe para apurar a denúncia e oferecer o suporte necessário para os usuários".

A 99 diz “não tolerar comportamentos ofensivos, atitudes agressivas ou qualquer tipo de violência”, e “por isso, ambos os perfis foram bloqueados e a empresa está disponível para colaborar com as investigações das autoridades”.

Esta nota faz referência ao perfil do motorista e também de Thiago Lopes da Silva, esposo de Letícia, que foi usado para fazer o chamado. Confira o texto na íntegra a seguir:

"A 99 lamenta o caso e informa que, assim que tomou conhecimento, mobilizou uma equipe para apurar a denúncia e oferecer o suporte necessário para os usuários. 

A empresa ressalta que o respeito mútuo é a base de tudo e obrigatório para utilização do app. A comunidade 99 não tolera comportamentos ofensivos, atitudes agressivas ou qualquer tipo de violência. Por isso, ambos os perfis foram bloqueados e a plataforma está disponível para colaborar com as investigações das autoridades, caso necessário. 

A 99 esclarece ainda que os usuários da plataforma da 99 que necessitarem de alguma característica especial no veículo para realizar a viagem, como um porta-malas maior para guardar uma cadeira de bebê, sempre que possível, podem optar, ao solicitar uma corrida, pelas categorias Táxi Top ou 99Comfort que contam com veículos mais espaçosos.

Se não for possível realizar a corrida (por exemplo, devido o fato do porta-malas ser muito pequeno), o passageiro deve cancelar a corrida, entrar em contato com a Central de Ajuda (0300-3132-421) e explicar a situação. Dessa forma, a taxa de cancelamento será anulada. A empresa ressalta que sensibiliza os motoristas parceiros a atender passageiros com gentileza e respeito. Essas e outras informações estão disponíveis no Guia da Comunidade 99, onde são fornecidas orientações claras sobre comportamentos aceitos e não aceitos o na plataforma".

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