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PROBLEMA

Madrugada na Praça dos Enfartados tem briga, agressão a idoso e disparo de arma de fogo

Um morador de 82 anos que reside em frente à praça e pediu para jovens pararem com a bagunça conta que foi atacado covardemente

Fábio Palodette e Heitor HerrusoPublicado em 03/09/2021 às 15:13Atualizado há 3 meses
Foto: Eisner Soares / O Diário
Foto: Eisner Soares / O Diário

Na teoria, a madrugada deveria ser um dos períodos mais silenciosos do dia. Mas, na prática, acontece o exato oposto na praça Francisca Campos Mello Freire – a ‘praça dos Enfartados’ -  no parque Monte Líbano, em Mogi das Cruzes. Há anos, O Diário vem mostrando que este endereço está “entregue aos vândalos” -, como afirmam vizinhos. As reclamações vão desde sujeira, perturbação do sossego e vandalismo. Agora, mais limites foram quebrados: após uma briga generalizada, um disparo foi efetuado e um idoso foi agredido às 03h40 da última quarta-feira, 1º de setembro, feriado em comemoração aos 461 anos do aniversário da cidade.

O episódio foi registrado e é contado por um morador de 82 anos, que foi "covardemente agredido" por um jovem pertencente a um grupo que fazia "farra" no espaço durante a madrugada. Ele pediu por sossego, mas conta que foi agredido por um dos baderneiros. Os dois brigaram, chamando a atenção de pessoas ao redor, que tentaram defender o idoso. Foi então que, segundo relatos, um homem que estava nas proximidades sacou uma arma e deu um tiro para o alto.

Ao ouvir o disparo os “baderneiros fugiram”, enquanto a sensação de indignação só cresceu para os moradores do local. O caso virou boletim de ocorrência no 1° Distrito Policial de Mogi. 

O relato é da vítima Osmar Paro, que também procurou a reportagem - em ocasiões passadas, ele já havia demonstrado a indignação em reportagens publicadas pelo jornal, denunciando inúmeros problemas vistos na praça: barulho até altas horas, uso de drogas, e aglomeração agora no período da pandemia.

Aos 82 anos, Osmar, que mora “na frente do trator” – monumento instalado no local, que recentemente foi pichado, como este jornal mostrou, conta ter saído no portão e assoviado em direção à bagunça. A intenção dele era parar com o desrespeito, como afirma já ter feito outras tantas vezes. Mas, dessa vez, não teve tanta sorte.

“Quando olharam para meu portão, eu pedi que parassem com o som. Um deles fez um sinal com o dedo para cima”, começa a contar. O tal sinal é o gesto de levantar “o dedo médio”, como foi registrado em boletim de ocorrência.

“Eu disse que então iria chamar a polícia. Geralmente tiro uma foto, assusto os caras e eles vão embora. O motorista veio ao meu encontro, acredito que para tirar o celular da (minha) mão. Nos atracamos aqui, eu caí no chão e um grupo que estava no local veio me socorrer”, lembra ele para a reportagem.

Quando o agressor, que mais tarde teria sido identificado pela Polícia, foi finalmente tirado de cima do idoso, a vítima pediu para que populares tirassem fotos das placas dos carros. Então "ficou aquele fuzuê todo”, resume Osmar, que não se machucou seriamente, apesar da queda e do susto. 

Quem ajudou Osmar foram "pessoas que também se encontravam na praça e não participavam da algazarra”. Mas é claro que os transgressores não permitiram que as imagens fossem feitas.

Consta no boletim de ocorrência que isso “gerou uma discussão e uma pancadaria entre os dois grupos”. E foi aí que Osmar percebeu um homem encostado em um veículo Onix de cor branca, que “sacou uma arma de fogo e efetuou um disparo”.

“Ele deu um tiro para cima. Todo mundo correu para dentro da minha casa. Eles (os agressores) foram embora, e logo chegaram dois ou três carros da polícia”. Toda essa narrativa foi detalhada na delegacia. 

Quando os agentes chegaram ao local, receberam os dados das placas dos carros, e a partir destas informações conseguiram localizar os veículos na residência da mãe dos investigados, que foram conduzidos a delegacia.

Osmar Paro recebeu uma requisição para realizar exame de corpo de delito. O caso foi registrado como lesão corporal, disparo de arma de fogo, perturbação do trabalho ou sossego alheio com gritaria e algazarra e abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos.

O Diário solicitou informações sobre os acusados pela agressão para a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) e aguarda retorno. 

Problemas contínuos

No início de agosto, a reportagem de O Diário mostrou que a Praça Francisca Campos Melo Freire, conhecida como Praça dos Enfartados, localizada no parque Monte Líbano, amanheceu suja e vandalizada em um sábado. No último domingo (29), a situação se repetiu, já que festas continuam acontecendo no local.

A reportagem mostrou, em fotos e em vídeo, embalagens de bebidas alcoólicas e energéticos, copos plásticos, maços de cigarro e cacos de vidro de diferentes tamanhos espalhados pelo chão.

Além da sujeira, que entre outros transtornos impede o uso do endereço para passear com cachorros, a situação indica constantes aglomerações. E é preciso reforçar que, apesar de Mogi registrar índices mais brandos de casos e mortes por Covid-19, a pandemia não cessou.

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