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LAVAGEM DE DINHEIRO

Grande operação da PF investiga crimes financeiros e faz buscas em Mogi

Entre as execuções em Mogi e outras cidades está o bloqueio de bens e valores dos investigados no valor aproximado de R$ 1.247.770.199,05; são apurados os crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e associação criminosa

O Diário
22/09/2022 às 14:44.
Atualizado em 22/09/2022 às 17:17

(Foto: reprodução)

Mogi das Cruzes é uma das cidades na mira da Operação Colossus, deflagrada na manhã desta quinta-feira (22) pela Polícia Federal, contra crimes de evasão de divisas - que consiste em crime contra o sistema financeiro, por meio do qual se envia clandestinamente divisas para outro país sem a necessária declaração à repartição federal competente -, lavagem de dinheiro e associação criminosa apurados no período de 2017 a 2021, e "que ainda persistem".

Além de Mogi das Cruzes, determinações são cumpridas nas cidades de São Paulo, Guarulhos, Franca, Campinas, Santo André; Barueri, Rio de Janeiro, Niterói, Belo Horizonte, Florianópolis, Caxias do Sul, Recife e Curitiba. Um dos grupos investigados realizou remessas de valores ao exterior na ordem de mais de R$ 18 bilhões. 

Ao longo das investigações, levantou-se que em um período de quatro anos, os investigados movimentaram mais de R$ 61 bilhões por meio do sistema bancário formal.

Entre as execuções da operação desta quinta está o bloqueio de bens e valores dos investigados no valor aproximado de R$ 1.247.770.199,05.

Informações específicas dos trabalhos em Mogi não foram divulgadas, mas a reportagem de O Diário solicitou detalhes à Polícia Federal sobre os mandados cumpridos na cidade e aguarda retorno.

O que se sabe é que, ao todo, os agentes cumpriram dois mandados de prisão preventiva; 37 de busca e apreensão, sendo 22 pessoas físicas e 15 pessoas jurídicas.

Dentre as pessoas jurídicas envolvidas na operação, destacam-se mandados de busca em seis Exchanges (plataforma de compra e venda de criptomoedas), quatro instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central a operar no mercado de câmbio e três escritórios de contabilidade

Também foi determinado a 28 Exchanges, com atuação no Brasil e no exterior, o sequestro de ativos virtuais titularizados pelos investigados e que, eventualmente, estejam na posse dessas.

Comprar e vender ativos virtuais, assim como realizar operações de arbitragem não é crime. "Porém, cada vez mais pessoas interessadas em ocultar a origem de recursos ilícitos tem feito uso deste tipo de artificio", alerta a PF.

Como tudo começou

As investigações da Operação Colossus surgiram a partir de um Relatório de Inteligência Financeira que continha comunicações de movimentações bancárias suspeitas envolvendo a negociação de criptoativos. Um dos grupos investigados realizou remessas de valores para o exterior na ordem de mais de R$ 18 bilhões. 

Essas investigações tinham por objetivo apurar crimes relacionados ao tráfico internacional de drogas, organização criminosa, crimes contra o sistema financeiro nacional, pirâmides financeiras e lavagem de dinheiro.

Além desses, os indícios levantados apontam para a compra direta de criptoativos por traficantes de drogas, doleiros, contrabandistas e outros.

Em comum, todos os investigados nessas operações adquiriram milhões de reais em criptoativos, cuja finalidade era remessa de valores para fora do país.

 Movimentação de R$ 61 bi

As investigações apontaram que, após cada operação policial realizada, as empresas de fachada comprometidas eram fechadas e novas empresas abertas, de modo a viabilizar a continuidade da movimentação dos valores de origem ilícita. Há casos de empresas de fachada que já estão na terceira geração, segundo a PF.

Ao longo das investigações, levantou-se que em um período de quatro anos os investigados movimentaram mais de R$ 61 bilhões através do sistema bancário formal.

As investigações apontam, ainda, que a movimentação de recursos de tal grandeza só foi possível porque várias instituições financeiras que movimentaram recursos com os investigados apresentaram falhas em seus sistemas de Compliance.

Ao todo, mais de 40 instituições financeiras movimentaram recursos dos investigados. Em certos casos, algumas dessas instituições, ao detectarem tais movimentações suspeitas, comunicaram tais fatos ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e encerraram relacionamento com os clientes investigados.

Porém, os investigados ingressaram com ações na Justiça e obtiveram decisões judiciais favoráveis, obrigando, assim, os bancos a continuarem movimentando recursos dessas empresas.

Ao todo, estão sendo cumpridos, por 170 policiais federais e por servidores da Receita Federal, 101 determinações judiciais expedidas pela 6ª Vara Criminal de São Paulo/SP.

No total, foram deferidas duas ordens judiciais de prisão preventiva; 37 ordens judiciais de busca e apreensão, sendo 22 pessoas físicas e 15 pessoas jurídicas.

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