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Sepultamento

Familiares dão depoimentos em enterro de crianças mortas em incêndio

Tia e irmã de Leandro afirmaram que o ex-casal aparentava ter um bom relacionamento, mesmo depois da separação.

Natan Lira e Larissa RodriguesPublicado em 18/02/2021 às 11:56Atualizado em 19/02/2021 às 15:39
Leandro, com Lorenzo no colo, ao lado de Ricardo e os filhos Gabriel e Fernanda / Reprodução - Facebook
Leandro, com Lorenzo no colo, ao lado de Ricardo e os filhos Gabriel e Fernanda / Reprodução - Facebook

Aconteceu às 11 horas desta quinta-feira (18) o enterro dos três irmãos mortos carbonizadas dentro de um quarto. Após um velório simbólico, que durou cerca de uma hora - na Funerária Montreal, em Poá - os corpos de Fernanda, 14 anos, Gabriel, 9, e Lorenzo, 2, foram levados ao Cemitério da Paz, onde foram enterrados. Muitas pessoas acompanharam o sepultamento.

No local, familiares de Leandro José Reis de Faria e Vieira, um dos pais das crianças, não quiseram comentar uma possível culpa do outro pai, Ricardo Reis de Faria e Vieira, que está preso temporariamente. Uma tia, Maria Aparecida Fernandes, e a irmã de Leandro, Cristiane Vieira, afirmaram que eles pareciam manter uma boa relação mesmo depois da separação, que aconteceu há cerca de três meses.

Cristiane contou que eles estavam se programando para ir morar em Paris, na França, o que aconteceria no ano passado. Para isso, venderam os equipamentos que tinham para manter a empresa de festas da qual eram proprietários. Com a chegada da pandemia, os planos do casal foram frustrados e eles tiveram de permanecer no Brasil. Um tempo depois, veio a separação.

“Eles estavam morando nessa casa que pegou fogo pagando aluguel, mas era provisório porque logo iriam embora do país. Quando se separaram, o Ricardo ficou na casa e o meu irmão mudou para Mogi. Só que as despesas estavam ficando muito altas para o Ricardo bancar sozinho e ele estava pensando em se mudar para uma casa que não fosse mais no centro, para abaixar os custos”, revelou Cristiane.

As mudanças estavam mexendo com os filhos, principalmente com a mais velha, Fernanda, de 14 anos, que chegou a fazer postagens nas redes sociais, horas antes do incêndio, dizendo que estava triste. A tia das crianças explica que desde sempre elas estavam acostumadas com um padrão de vida mais elevado. “Eu posso dizer que meu irmão sempre fez de tudo para dar do bom e do melhor para eles”, frisou.

Sobre a relação do ex-casal ela falou que até onde sabia um estava respeitando os limites do outro após a separação e que Leandro sequer tinha as chaves da casa onde Ricardo estava morando, para que não o atrapalhasse. Ainda sem o divórcio registrado, ela explica que eles combinaram que a guarda dos filhos seria compartilhada e cada um ficaria 15 dias do mês com eles.

“Eu prefiro aguardar as investigações para dar um posicionamento. Se ele for culpado, ele vai pagar, mas agora cabe à justiça investigar e precisamos aguardar a perícia. Eu acho que no calor da emoção a gente não quer falar, mas muito triste se o desfecho tiver sido esse, porque eles eram uma família feliz, as crianças eram felizes, era tudo perfeito. Está muito difícil pra gente da família acreditar”, lamentou Cristine.

A tia de Leandro conta que tinha uma relação tranquila com Ricardo. Que eles conversavam, se davam bem e que, inclusive, ela cuidava das crianças quando era necessário. Ela diz que nos últimos dias estavam surgindo conversas de que Ricardo poderia estar com ciúmes de Leandro, que foi quem decidiu por terminar o relacionamento.

“Mas o meu sobrinho não queria mais, ele decidiu que realmente tinha acabado. Essa situação arrasou a nossa família e agora a gente quer saber o que aconteceu com essas crianças. Quando ligaram para mim achei que as crianças estavam bem e quando chego lá me deparo com as três crianças mortas e o Ricardo fora da casa, a gente quer uma explicação”, finaliza Maria Aparecida.

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