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MISTÉRIO

Família diz ter identificado homem encontrado morto em posto de saúde de Biritiba Mirim

Ivan Nunes, conhecido andarilho da cidade, sofreu agressão no dia 24 de outubro e estava desaparecido; exame de DNA deve confirmar a identidade

Mariana Acioli
21/11/2022 às 13:34.
Atualizado em 21/11/2022 às 20:53

Registros de Ivan caído em frente a um comércio de lingerie de Biritiba Mirim, após a agressão, foram feitos uma pessoa que presenciou os fatos (Imagem: Arquivo Pessoal)

Os resultados de um exame de DNA poderá colocar fim ao mistério sobre a identidade do corpo de um homem encontrado morto na base de uma caixa d’agua do Pronto-Atendimento de Biritiba Mirim. Familiares de Ivan Nunes dos Santos, que está desaparecido desde o dia 25 de outubro deste ano, acreditam ter desvendado uma parte desta história.

Segundo os familiares de Ivan, conhecido andarilho da cidade, ele pode ser a vítima encontrada sem vida nas dependências da unidade de saúde neste mês, após um forte odor ter levantado a suspeita de funcionários do serviço médico.

A família descobriu sobre o desaparecimento do homem há pouco mais de uma semana e reuniu evidências que relacionam a identidade do morto com a de Ivan.

Para entender o caso é preciso voltar ao dia 24 de outubro, data do último avistamento do andarilho, segundo Vinicius Anthony Martins e Jackeline Santos, ambos sobrinhos dele. Neste dia, Ivan estava em frente à um comércio de lingerie da cidade, onde teria sofrido uma agressão de uma mulher, cliente da loja.

Uma pessoa que presenciou os fatos relatou à Jackeline que ele teria sido agredido após ser inconveniente com uma das clientes. Ele recebeu um golpe, caiu, e teria sofrido um trauma na cabeça.

Ivan foi socorrido por uma ambulância do SAMU e levado até o Pronto Atendimento Municipal Irio Taino, na avenida Maria José de Siqueira Melo, Jardim Pâmela, em Biritiba Mirim, com entrada no local às 19h35. Além do trauma, a ficha do atendimento indicou intoxicação alcóolica.

Documentos do PA detalham que o homem recebeu medicação fugiu da unidade de saúde no mesmo dia, entretanto, teria retornado no dia seguinte (25) trazido pelo SAMU, com a descrição no formulário de atendimento de que o paciente chegou “etilizado”.

Segundo a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID), classificado como CID10: T519 na ficha de atendimento, o código T519 descrito indica “efeito tóxico de álcool não especificado”.

Foi após o último atendimento, no dia 25 de outubro, dia em que teve alta do posto de saúde, que a família não soube do paradeiro de Ivan.

Corpo encontrado

O descobrimento do corpo no Pronto-Atendimento de Biritiba só veio a acontecer no dia 13 de novembro, 19 dias depois do úlitmo atendimento de Ivan, quando funcionários do local afirmaram sentir um odor forte vindo do espaço de alvenaria onde está instalada a caixa d’agua da unidade de saúde.

Até a data de publicação do caso por O Diário no dia 15 deste mês, não havia informações da identidade do corpo.

Dias depois, com as primeiras notícias sendo divulgadas sobre a morte, chegou até os familiares a informação de que o corpo encontrado seria de fato o de Ivan. A partir dai os sobrinhos começaram a ir atrás de relatos de pessoas que avistaram o homem no final do mês de outubro.

“Eu fui descobrir que meu tio estava desaparecido esses dias, porque meu avô já é de idade e não mora mais na mesma casa que o Ivan morava, hoje mora com meus pais. A partir do momento que soubemos da morte no pronto-atendimento e do desaparecimento dele, começamos a ir atrás de informações”, esclareceu Vinicius a O Diário.

A sobrinha detalhou a este jornal que ela e a mãe conseguiram fazer o reconhecimento do corpo através das fotos do cadavér encontrado, onde foi possível ver as roupas usadas no momento da morte que coincidiam com as que Ivan usava no dia da agressão.

“Está difícil eu conseguir qualquer papelada do assunto. Minha mãe fez a coleta do DNA dela para o exame, mas me informaram que o resultado vai sair só daqui seis meses ou mais. Porém, já identificamos ser meu tio pela roupa que ele estava com a do cadáver”, revelou.

O reconhecimento, segundo Jackeline, no entanto, não foi considerado pelo Instituto Médico Legal (IML), pois o corpo já havia sido enterrado sem identificação.

“Eu voltei no IML e falei que já tinha confirmação de que era ele porque recebi uma foto dele com a mesma roupa do corpo encontrado, mas tudo que me falaram foi que não tinha o que ser feito além de esperar o resultado do exame de DNA. A foto que mostrei para eles hoje não serviu de nada”, lamentou Jackeline. 

A família de Ivan continua no angustiante processo em buscas por informações, imagens de câmeras de segurança ou relatos que possam confirmar às autoridades sobre a identidade do corpo encontrado no dia 13, para que ao menos, de acordo com a sobrinha, seja possível enterrar o falecido no jazigo da família. 

O Diário aguarda apuração e posicionamentos da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) diante das informações trazidas por esta reportagem que esclareceu através de nota: "O caso é investigado como morte suspeita pela Delegacia de Biritiba Mirim. Devido ao avançado estado de decomposição em que a vítima foi encontrada, foi solicitado exame de DNA para a sua identificação. Tão logo o laudo for concluído, será analisado pela autoridade policial para auxiliar no esclarecimento do fato".

Este jornal também questiona a Prefeitura de Biritiba Miirim sobre o atendimento dado ao paciente na unidade de saúde da cidade e outros levantamentos do caso.

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