O comércio de Mogi das Cruzes registra aumento de casos de furtos em estabelecimentos neste período em que a cidade se encontra na fase mais restritiva do Plano São Paulo. A falta de movimento nas ruas, especialmente à noite, acaba estimulando as ocorrências, na avaliação de representantes do setor, que já sofre com os prejuízos de queda nas vendas.

Vídeos divulgados por O Diário nesta sexta-feira (02/04) com imagens de circuito de dois estabelecimentos comerciais registram a ação de bandidos no Parque Monte Líbano, em março. Um deles, mostra o ladrão entrando em um restaurante na rua Carmela Dutra. Logo após, um outro furto é registrado em uma loja de roupas na rua Júlio Prestes.

A situação preocupa a presidente da Associação Comercial de Mogi das Cruzes (Acmc), Fádua Sleiman. Ela disse que atualmente os bandidos sabem os horários em que o comércio pode funcionar e qual o momento certo para agir. “Estamos nos tornando refém da bandidagem, o que demonstra a fragilidade pela qual passa os empreendedores, que além da perda financeira por não poder abrir as portas, ainda têm que lidar com a falta de segurança”.

A entidade já encaminhou o oficio ao comando do 17º Batalhão da Polícia Militar (BPM) pedindo reforço na fiscalização. O assunto foi discutido também durante reunião que ocorreu há cerca de 15 dias com a comandante da corporação, Patrícia Félix Renesto da Silva, que se comprometeu em atender ao pedido.

Segundo Fádua, a comandante disse que reforçou o policiamento, especialmente no período da noite, com a atuação de agentes que estão trabalhando quando estão de folga. Os policiais se propõem a realizar essa vigilância e receber em horas extras.

Além disso, a presidente da ACMC pedi aos comerciantes que façam os Boletins de Ocorrência (BO), já que alguns apenas relatam os casos e encaminham vídeos nos grupos de WhatsApp para mostrar o que está acontecendo. Ela alega que os registros de BO são importantes para que a polícia tenha dados estatísticos para verificar os pontos mais críticos e planejar as ações.

Outra medida está sendo adotada pelos próprios comerciantes. Fádua conta que os empreendedores de alguns locais estão se unindo para contratar segurança própria para fazer a fiscalização durante o dia todo. “Veja em que pontos chegamos: além de muitos não terem faturamento por estarem fechado, sofrer com a redução na receita e queda de 80% nas vendas, os comerciantes ainda vão ter mais custos para garantir a segurança do estabelecimento”, lamenta.

Mesmo assim, Fádua explica que o comércio pretende continuar dando a sua contribuição na luta contra a Covid-19. Ela entende que o melhor nesse momento é reforçar a vacinação na cidade para que todos possam ser imunizados. 

 

Sincomércio

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Mogi, Valterli Martinez também encaminhou ofícios à PM e participou de reunião com a comandante do 17º BPM.  “Estamos muito preocupados com os furtos, que aumentaram muito no mês de março, especialmente após as 20 horas, quando os estabelecimentos não podem funcionar. Muitos estão se aproveitando dessa fase restritiva, porque não tem gente nas ruas, o que facilita esse tipo de ação”, avalia.

Ele observa ainda que a maioria dos casos é de furtos pequenos, pessoas que tem problemas com dependência química. “Mas mesmo assim, os prejuízos são grandes nas lojas que tem as vitrines quebradas, equipamentos levados e vários outros prejuízos”, reforça. 

Após o encontro com o comando da PM, ele disse que está sendo observando um aumento nas rondas e uma fiscalização mais rigorosa, especialmente na área central. Esse reforço também está sendo solicitado para os núcleos comerciais dos bairros e distritos do município. “Estabelecemos também um canal de diálogo com a comandante e isso facilita e agiliza o processo”, comenta Martinez.

Apesar da questão de segurança pública ser de competência do Estado, o presidente do Sincomércio explica que também encaminhou oficio à Prefeitura pedindo mais vigilância da Guarda Municipal, que tem uma base instalada na área central e poderia também atuar nos bairros

A Prefeitura Municipal, por sua vez, alega que também envio oficio ao comando da PM, solicitando o reforço no policiamento. Esclarece ainda que a GCM atua constantemente na cidade para ajudar na fiscalização e coibir os assaltos

Ações

O comando da Polícia Militar informa que o policiamento em Mogi vem sendo reforçado para combater os furtos na cidade. Segundo a PM, já foi iniciada a implantação do Programa Vizinhança Solidária no centro, com foco na participação ativa dos comerciantes nos assuntos da Segurança Pública. Contudo, alega foi feita uma primeira reunião com donos de estabelecimentos dessa região central e somente dois comerciantes compareceram.

A corporação esclarece ainda que um dos indivíduos envolvidos nos furtos recentes foi conduzido ao distrito policial, onde foi ouvido e liberado.

Em nota, o comando destaca ainda que “o policiamento ostensivo e preventivo é realizado por meio de planejamento estratégico e da análise dos índices criminais e do emprego do seu efetivo operacional por meio dos Programas de Policiamento de Rádiopatrulhamento, de Força Tática e Policiamento Comunitário”.

Como resultado dessas ações na cidade, nos meses de janeiro e fevereiro de 2021, a Polícia Militar apresenta o seguinte resultado: 72 pessoas presas ou apreendidas (adolescentes); 56 veículos roubados foram recuperados; e 8 armas apreendidas.