EDITORIAL

Parabéns, Mogi!

Pouco antes de chegar aos 460 anos oficialmente lembrados hoje, Mogi das Cruzes recebeu a notícia sobre quantas pessoas habitam seu território. Somos 450.785 moradores.

Publicado na semana passada, o ritmo de crescimento populacional medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) permaneceu o mesmo de 2019, com a repetição do índice de 1,1%, confrontando a taxa de 1,6% alcançada em 2018, e a percepção popular sobre o acentuado adensamento de bairros com a ocupação dos antigos e a construção de novos empreendimentos residenciais.

Sem a recontagem do Censo Populacional, suspensa nesse ano, a reboque da pandemia, o que temos é esse número estimado.

Esse índice rege a distribuição dos recursos de impostos pelos governos do Estado e Federal. Porém, na prática, identifica o que a cidade é no presente e algo ainda mais imponderável: o que ela será no futuro.

Somos 450 mil pessoas disputando o espaço para morar, uma vaga no mercado de trabalho em crise, o acesso à educação, saúde e segurança pública, e até um cantinho livre para sentar na grama e passar a tarde de domingo em um dos nossos parques públicos.

Mais dia, menos dia, Mogi das Cruzes chegará ao primeiro meio milhão de habitantes.

Mesmo com a redução dos índices de natalidade porque as pessoas têm menos filhos, a pressão imobiliária exercida pela proximidade com São Paulo e a oferta de imóveis livres ou em transformação para outros usos, não cederão ao inverso, à redução ou estabilização das taxas populacionais. Não há ambiente para uma inflexão, um desvio possível para deter esse avanço.

Assombra a cidade ainda, o mesmo espírito de “vila de beira de estrada”, identificado por historiadores na formação do povoado que se tornou a terceira vila criada no planalto do estado de São Paulo, em 1611. Mas, que ninguém se engane, são bem sustentados os diferenciados índices, para melhor, sobre o desenvolvimento humano, social e econômico mogiano.

Temos complexos desafios e desequilíbrios, especialmente na chegada dos serviços públicos nas franjas da cidade, e na distribuição da riqueza. Dois pontos, aliás, pinçados em nossa edição de ontem, de uma reportagem dada pelo prefeito Marcos Melo, que elege a falta de infraestrutura e de emprego.

Porém, hoje é aniversário da cidade. Mirando o passado, o povoado pobre que se tornou cidade grande, com identidade, graça e o charme de expressões culturais que furam a bolha do fenômeno da conurbação típico de regiões metropolitanas, temos mais motivos para comemorar e apostar no futuro do que para ficar apontando erros (embora eles existam).

Parabéns, Mogi!


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