Situação vergonhosa a do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), até então um dos vice-líderes do Governo Federal, flagrado com mais de 30 mil reais na cueca, numa ação da Polícia Federal para apurar desvio de dinheiro público em Roraima.  A reação do político não poderia ser mais absurda, afinal, conforme esclarecimentos que prestou, se o dinheiro era lícito, destinado ao pagamento de empregados dos seus negócios, qual razão de enfiar na cueca? Bastaria demonstrar o saque, a documentação e resolveria, até porque manter dinheiro em casa não é crime, mas não, como é comum na seara política, situações bizarras aparecem e as explicações são difíceis de engolir.  O senador tem amplo direito de defesa, pediu afastamento do seu mandato, mas a ideia de esconder o dinheiro foi péssima, virou motivo de piada e não contribui para a imagem da classe política.

Outra situação que é uma vergonha refere-se ao Governo de São Paulo no episódio da duplicação da rodovia Mogi-Dutra, a qual ficará incompleta no trecho final por entrave burocrático-jurídico oriundo do valor de indenização pela desapropriação de uma área.  Tanto tempo de espera, projeto e tudo o mais, a notícia de agora desaponta, como se não houvesse interesse da população em saber antecipadamente para não arranhar a imagem do Governo. Na Câmara de Mogi das Cruzes o silêncio sobre esse tema chamou atenção essa semana. Por isso é preciso renovar nessa eleição.

São dois casos comuns que mostram como no Brasil alguns políticos contaminam a classe, que assim perde a confiança da população, e como o serviço público por vezes é incapaz de resolver demandas ou tratar com maior transparência junto a quem interessa. 

Laerte Silva É advogado