O Governo do Estado decidiu alterar o Plano SP e adotar temporariamente a fase 1, a vermelha e mais restritiva da estratégia de enfrentamento ao coronavírus, apenas em seis dias, nos feriados de Natal e Ano-Novo, e nos sábados e domingos subsequentes a eles. A medida transmite mais uma mensagem simbólica do que efetiva para conter a movimentação das pessoas e as aglomerações porque deixou de fora justamente as datas de maior fluxo de circulação, ou seja, as vésperas das datas que celebram o nascimento de Jesus Cristo e a chegada de 2021.

Por mais que a razão e o conhecimento que se tem sobre a Covid-19  indiquem que seis dias a menos namovimentação de pessoas poderá frear a circulação do coronavírus, a implantação de uma fase-relâmpago nutre ainda mais os argumentos dos negacionistas e também de uma grande parte dos políticos que estiveram de olho, na realidade, na aprovação popular e nas eleições municipais deste ano, ou que estão de olho no pleito de 2022.

Se a curva dos casos e dos óbitos provocados pela doença sobe, o correto e o esperado seria a adoção de medidas restritivas definitivas, até diminuir os riscos de aumento da contaminação e da superlotação dos hospitais.

Essa decisão parece reforçar mais o viés político do que científico, especialmente quando se nota a rerealidade dos trens lotados, ruas comerciais cheias, a alta dos casos. Esse não é um bom caminho, em uma hora dessas, quando todas as pessoas estão saturadas pela pandemia e se vêem desnorteadas diante das informações sobre a segunda onda da Covid-19, sendo que nem mesmo a primeira foi controlada.

Mesmo simbólica, a implantação da fase vermelha temporária serve de alerta principalmente aos grupos vulneráveis que precisam fazer por si, para preservar a vida.

Prosseguem as festas, aglomerações, a falta  ou uso incorreto de máscaras. Não há fiscalização, e nem conscientização coletiva que dêm conta. Aliás, desde o início da pandemia, as decisões governamentais em decretos foram atendidas integralmente por poucos setores, como o educacional, que realmente suspendeu as aulas presenciais. Muitos segmentos cumpriram parcialmente as regras, burlaram protocolos, abriram meia-porta mesmo quando não podiam. Assim caminhamos na pandemia e seguimos contamos as vitimas fatais – o Brasil poderá perder 200 mil vidas por incúria dos governos e a permissividade de boa parte da população.