Diego Capua

Temos mais informação sobre as eleições hoje do que quando tínhamos apenas a mídia convencional para difundir notícias e propaganda eleitoral? Dependendo da forma como nos comportamos, a resposta seria não, o que pode parecer estranho, pois se formos ver há um fluxo muito mais agitado de informações que correm pelos perfis de candidatos, amigos, estranhos ou mesmo por publicidade dentro das redes, o que daria uma vantagem a essa mídia mais atual. Porém, se nos pautarmos apenas por essa nova forma de comunicação e não soubermos como agir no mundo virtual, ficaremos mais alienados.

Dentro de uma mídia social, em razão de toda engenharia criada nesse meio, acabamos vendo um mundo muito restrito e direcionado, de forma que podemos, por vezes pensar que o mundo à nossa volta está sempre de acordo com nossa visão, com poucas pessoas tendo pensamentos diferentes. Claro que aquele mundo é mais ilusório. Uma rede social é planejada para saber nossas preferências e fazer indicações certeiras quanto a esses parâmetros, deixando de lado os assuntos que não são do nosso interesse. Se somos passivos nesse ambiente e consumimos apenas o que o feed nos proporciona, dificilmente iremos mudar de opinião sobre um posicionamento político, mesmo que ele possa estar errado.

Por isso precisamos demonizá-las? Claro que não. Há dentro das redes sociais muitas formas importantes de informação, temos a possibilidade de ver como um ou outro candidato se comporta e pensa. O que é necessário e apenas termos uma conduta ativa, ir atrás de informações, sabermos de posicionamentos contrários, ou seja, não deixarmos que apenas aquilo que nos é proposto em nossas páginas iniciais.

Se a internet nos abriu o mundo, não vamos nos fechar apenas naquilo que nos é proposto. Sejamos ativos, vamos atrás da informação, até mesmo de candidatos que desaprovamos. A conduta passiva, além de não contribuir para a democracia, também cria divisões e extremismo. Vamos usar as ferramentas que temos em nosso benefício.

Diego Capua é advogado