Não é de hoje que O Diário defende e repercute a discussão sobre  a extensão do trem de passageiros até o distrito de César de Souza em Mogi das Cruzes.  Há um horizonte de aumento da população dado a novos empreendimentos imobiliários, o que afetará o deslocamento da população. Serão mais veículos e os ônibus tendem a ficar superlotados. 

Já acontece hoje em dia, havendo manifestação de várias frentes sobre a necessidade de encarar essa demanda coletiva. Para atender a essa demanda, seria necessário ampliar a linha entre a estação Estudantes e César.

É fato que hoje, no exato estado em que se tem o equipamento, os trilhos da malha federal são utilizados para transporte de cargas pela empresa MRS Logística, porém, não a todo momento, o que é um obstáculo considerável, contudo, segundo reportagem dessa semana em O Diário, e empresa se dispõe a colaborar com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, a CPTM para fins de estudos de viabilidade de atendimento dessa necessidade de mobilidade.

Uma obra de porte precisa vencer barreiras legais, ambientais e técnicas evidentemente, caso contrário, o avanço de obras públicas seria uma maravilha, mas isso é utopia, a realidade brasileira com a necessidade de impedir desvios e corrupção requer atendimento à lei de licitações, a qual impõe longo percurso para alguns empreendimentos, contudo, ainda na esteira da ótima reportagem trazida aos leitores, a CPTM reafirma a impossibilidade de levar o trem de passageiros até César de Souza por inviabilidade técnica. Como assim?  Partindo-se apenas do que se tem de malha ferroviária e estrutura de estações pode ser, mas sequer curvar-se ao estudo de uma demanda coletiva, não parece querer o diálogo não. Com todo o respeito, é uma posição que marca sua falta de vontade.  

 

Laerte Silva é advogado