Cláudio Costa

Começo meu artigo repetindo a frase de Roberto Campos que diz que o” Brasil nunca perde a oportunidade de perder mais uma oportunidade”. Empresários e executivos no Brasil começam a se manifestar de forma mais enfática sobre a condução da agenda democrática no país sob o atual governo. Há um entendimento comum de que as instituições estão sob ataque, assim como a política ambiental e as instâncias de representatividade. Esse quadro eleva as incertezas, prejudica o andamento de reformas estruturantes e erode a reputação internacional do país, causando impactos diretos no próprio governo.

É lamentável vivenciarmos isso justamente quando a economia começa uma retomada forte puxada pelo agronegócio e, sem investimento robusto por parte dos investidores estrangeiros, corremos um sério risco de ser este momento mais uma bolha do que uma retomada econômica.

Nos últimos seis meses, praticamente patinamos em termos de reformas estruturais de que tanto precisamos e o país precisa urgentemente de uma agenda econômica com participação da sociedade. É impossível acreditarmos que poderemos viver eternamente com ajudas emergenciais não importando que nome se dá ao benefício. Precisamos sim, é de emprego, e de bons empregos para que o país competitivo possa se tornar competitivo frente a demanda mundial.

O discurso é antigo, mas a necessidade é iminente e a sociedade esclarecida precisa contribuir, priorizando estas reformas na sua agenda de interesses exigindo mais democracia e menos populismo por parte dos governantes.

O melhor programa social de um governo é o emprego, o resto é obrigação.

Cláudio Costa é diretor de desenvolvimento econômico e social da Prefeitura de Mogi das Cruzes