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OPINIÃO

Violência insuportável contra as mulheres

A velocidade dos crimes é tanta que banaliza os casos cruéis e impressionantes, como o assassinato da jovem grávida, de 22 anos, encontrada dentro de uma mala jogada na estrada da Volta Fria, e os menor gravidade, mas não menos importante, porque fazem parte de um mesmo contexto: a violência contra a mulher

O Diário
22/06/2022 às 12:36.
Atualizado em 22/06/2022 às 17:58

Logo depois de destacar um vídeo trouxe as cenas dramáticas vividas por uma família de Suzano quando a matriarca foi atropelada por um motorista de aplicativo que não quis colocar um carrinho de bebê no porta-malas antes do início de uma corrida, O Diário revelou nesta terça-feira (21) o fim da procura por Cintia Silvia dos Santos, moradora do Jundiapeba considerada desaparecida desde a última sexta-feira - grávida aos 22 anos, ela foi morta com sinais de extrema crueldade e colocada dentro de uma mala e deixada em um dos pontos da estrada da Volta Fria. 

O modo do agir de quem a matou, por si, é selvagem demais mesmo para esses tempos de desvalorização da pessoa humana: o corpo da vítima foi objetificado ao ser colocado em uma mala, tornando ainda mais violento e sintomático o desfazimento de duas vidas. A jovem estava grávida.

Em ambos os casos, uma moradora de 44 anos de Suzano e a jovem assassinada, que residia em Jundiapeba, as vítimas se juntam ao recorte do extraordinário aumento de crimes e do feminicídio no Brasil. Como um país, de modo geral, a região do Alto Tietê acompanha o descontrole de homens quando decidem agredir ou matar mulheres pelo fato da condição de gênero delas.

Os casos mostram que elas têm sido alvo mais frequente de companheiros, namorados e maridos, mas também de desconhecidos, como o motorista de aplicativo que atropelou uma cliente - que estava ao lado da filha e de duas crianças, e partiu sem prestar o socorro e nem cancelar a corrida solicitada.

Ambos os casos merecem ser investigados e os autores dos crimers penalizados.

Essas violações se repetem porque agressor possui que sairá ileso de punição, muitas vezes, até mesmo de denúncia formal. Há um outro fato a ser considerado: a reação da sociedade organizada não tem dado uma resposta à altura desse estado de violência crônica contra as mulheres. Fato que o machismo é traço da sociedade humana, não apenas nos países da América Latina. Mas, ao assumir essa proporção de pandemia, algo precisa ser feito para mudar o ritmo dos crimes e dos feminicídios.

Ampliar as redes de proteção e amplificar a necessidade de denunciar as agressões físicas, verbais e até por meios eletrônicos - cada vez mais comuns, é caminho apontado por entidades que enfrentam muitas dificuldades enfrentadas para detê-los, mesmo quando previamente anunciados por históricos de agressões. O caso de um procurador que agrediu uma coleta de trabalho, em Registro, e de tantos outros agressores, tem esse traço em comum: a repetição do comportamento violento.

Meios legais são conquistados como a tipificação do crime de feminicídio íntimo previsto  na Lei nº 13.104/2015, que alterou o art. 121 do Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940), para prever o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio. 

Outros mecanismos de reação patinam como o desenvolvimento de políticas específicas de proteção e até de educação e conscientização sobre uma situação que tem terminado em finais trágicos e em escala preocupante.

Necessário repetir que "o feminicídio é a instância última de controle da mulher pelo homem: o controle da vida e da morte. Ele se expressa como afirmação irrestrita de posse, igualando a mulher a um objeto, quando cometido por parceiro ou ex-parceiro; como subjugação da intimidade e da sexualidade da mulher, por meio da violência sexual associada ao assassinato; como destruição da identidade da mulher, pela mutilação ou desfiguração de seu corpo; como aviltamento da dignidade da mulher, submetendo-a a tortura ou a tratamento cruel ou degradante”,  como trouxe o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito sobre Violência contra a Mulher, em Brasília.

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