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EDITORIAL

Violência contra a mulher

"Números que não mentem: por dia, três mulheres são vítimas de feminicidio no Brasil. A cada dez minutos, uma mulher é estuprada"

O DiárioPublicado em 25/11/2021 às 18:41Atualizado há 2 meses

Ainda é uma pergunta sem resposta: como o Brasil vai reduzir a escalada crescente da violência contra a  mulher? Ontem, no Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher os números reunidos por pesquisas como a realizada pelo Instituto Patrícia Galvão mostram que, no Brasil, 30 mulheres sofrem agressão física por hora, uma mulher é vítima de estupro a cada 10 minutos, três mulheres são vítimas de feminicídio a cada um dia e uma travesti ou mulher trans é assassinada a cada dois dias.

Na pandemia, essa situação foi ainda mais presente porque houve um aumento consistente desse tipo de violência que começa, em geral, com a agressão psicológica e emocional dentro de casa.

Lideranças defendem que o combate precisa começar com a melhoria da rede de proteção às vítimas. Hoje, em Mogi das Cruzes, por exemplo, esse público conta com algumas iniciativas, como as casas da Ong Recomeçar e Dandara. Mas, esses serviços atendem quando a violência já se concretizou. Melhorar as políticas de enfrentamento das causas do feminicídio e outros tipos de crimes é o único caminho, inclusive, com ações voltadas especificamente para a educação de crianças e jovens, para mudar uma dinâmica secular que assume proporção assustadora.

Entre as reivindicações dessa bandeira, afirma a advogada Rosana Pierucetti,  presidente da ONG Recomeçar, está a conquista de um Centro de Referência à Mulher.

“Eu vou continuar repetindo isso, até que seja concretizado. Nós precisamos muito desse Centro de Referência. Ele, claro, será fundamental para as mulheres vítimas de violência doméstica, mas poderá também atender muitas outras demandas. Seria um local de interligação entre os serviços, como a Defensoria Pública, a Delegacia da Mulher, atendimentos de saúde, encaminhamento e qualificação para empregos. Nós mulheres representamos 52% da população da cidade e precisamos disso”, disse.

Para o presente, as demandas não sensibilizaram, ainda, governos e instituições a ponto de promover mudanças reais. Uma delas está no primeiro acesso da vítima às autoridades.

“Se a mulher está em Jundiapeba e procura a delegacia mais perto, vão dizer que ela precisa ir até a DDM, que está localizada na Vila Oliveira. Mas, nem sempre ela vai ter esse tempo, porque muitas vezes usou alguma brecha para fugir do marido e denunciar. Então, precisamos ter esse lugar com o trabalho focado, mas também precisamos que todos os atendimentos sejam humanizados nesse momento tão delicado para as vítimas”, diz a advogada tocando em um ponto crucial e lamentável:  diante de tantas evidências, o estado brasileiro fomenta essa mortandade e não acaba com o preconceito institucionalizado sentido por mulheres que procuram serviços que deveriam ampará-las e não julgá-las, como muitos relatos denunciam.

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