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EDITORIAL

Varíola dos macacos deixa o mundo em alerta

Apesar de existirem vacinas sendo aplicadas em pacientes em outros países, os imunizantes foram elaborados para conter a varíola humana e não a transmitida por animais

O Diário
30/07/2022 às 07:03.
Atualizado em 30/07/2022 às 07:12

Imagem de microscópio eletrônico colorizada artificialmente mostra vírus da varíola dos macacos (em verde) (Foto: reprodução / NIAID-NIH)

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EDITORIAL

Varíola dos macacos deixa o mundo em alerta

Apesar de existirem vacinas sendo aplicadas em pacientes em outros países, os imunizantes foram elaborados para conter a varíola humana e não a transmitida por animais

O Diário
30/07/2022 às 07:03.
Atualizado em 30/07/2022 às 07:12

Imagem de microscópio eletrônico colorizada artificialmente mostra vírus da varíola dos macacos (em verde) (Foto: reprodução / NIAID-NIH)

Ainda sob o signo da pandemia, o  aumento dos contágios pelo vírus Monkeypox,  causador da varíola dos macacos, levou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a considerar a doença como uma emergência mundial. Com um grau de letalidade de menos de 1% e os riscos de contaminação mais restritos quando se compara com a Covid-19, por exemplo, o crescimento dessa enfermidade se dá em hora ainda muito ruim porque os sistemas de saúde seguem engessados, atados e dependentes do combate do coronavírus e dos reflexos do represamento de diagnósticos e tratamentos médicos.

A infecção da varíola dos macacos  difere da Covid e os casos monitorados até o momento mostram a prevalência de alguns grupos de pacientes como homens gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens (HSH), profissionais de saúde que atendem registros suspeitos ou confirmados, trabalhadores em laboratório e pessoas que fazem sexo com múltiplos parceiros. Isso, no entanto, não exclui a infecção de outras pessoas que, por ventura, tenham contato por meio de beijos e abraços com uma pessoa infectada.

Há outro ponto de preocupação. Apesar de existirem vacinas sendo aplicadas em doentes ou pessoas que tiveram contato com pacientes em outros países, os imunizantes disponíveis foram feito para a varíola humana e não para a transmitida por animais. Ou seja, ainda não há uma grande margem de eficácia e segurança.

Tudo isso aliado ao fato da alta de contágios confirma a necessidade de se prevenir, municiar-se de informações seguras, evitar o pânico e até o uso indevido sobre os dados atuais. Notícias falsas e maldosas já começam a circular.

No sábado último, quando a OMS declarou a emergência internacional, o Brasil tinha cerca de 600 casos confirmados. Na sexta-feira última, dados oficiais já apontavam para mais de 900 casos.

Tudo o que não se queria, agora, é o avanço de uma nova doença para sobrecarregar os sistemas de saúde ainda fragilizados e sem o controle pleno da Covid - basta saber que, em Mogi das Cruzes, cerca de 79 mil pessoas, até a semana passada, ainda não tinham concluído as etapas da vacinação, ou seja, cerca de 16,4% do público alvo da campanha.

Outro foco de atenção é o fato de o estado de São Paulo ter a maioria das confirmações deste tipo varíola notificada no Brasil - na região, são 4, sendo 2 em Mogi das Cruzes.

Essa doença recoloca a saúde pública - alvo de tanta tensão e sofrimentos desde 2020 no Brasil que teve gravíssimos erros na condução de estratégias para mais rapidamente iniciar a vacinação e poupar vidas - no centro das atenções nos próximos meses quando os planos dos candidatos aos governos do estado e federal poderão ser um diferencial na escolha do eleitor. Que o negacionismo e o viés ideológico não se sobreponham à ciência e ao trato com a seriedade que esse assunto impõe.

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