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EDITORIAL

Um tempo de esperança

"Como a gripe, a Covid caminha para impor à humanidade um calendário mundial de vacinação para conter as mutações e o surgimento das variantes"

O DiárioPublicado em 10/09/2021 às 17:42Atualizado há 17 dias
População adulta de Mogi está vacinada / Arte: Danilo Scarpa / O Diário
População adulta de Mogi está vacinada / Arte: Danilo Scarpa / O Diário

Quase dois terços da população de Mogi das Cruzes receberam uma dose da vacina contra a Covid-19 em oito meses de uma campanha inédita e complexa ao mesmo tempo.

Neste final de semana, a vacina chega ao braço dos mais jovens e, na outra ponta, dos primeiros mogianos com 85 anos ou mais que vão iniciar a fase da revacinação, com o reforço de mais uma aplicação.

Já receberam a primeira dose, 315 mil pessoas, ou 65,62% dos moradores da cidade de 480 mil habitantes. A dose única atendeu 10 mil cidadãos e a segunda dose, 166 mil, ou quase um terço.

Esses números poderiam ser melhores, óbvio. Mas quando se observa outros cantos do mundo com coberturas inferiores à brasileira, há de se admitir que começamos a sentir alguns resultados mais concretos do enfrentamento da doença.

Quando se observa a escassez da vacina até março passado, a particularidade de uma pandemia com imposições como o distanciamento social mesmo na hora de se buscar a proteção e toda sorte de barreiras fustigadas por razões políticas e ideológicas, o tempo atual é de esperança e alívio.

Chegamos aos mais jovens e ao reforço para aqueles que estão há mais de seis meses vacinados e, por isso mesmo, começando agora a contar com a redução da imunidade.

Como acontece com a gripe, a Covid caminha para impor à humanidade um calendário mundial de vacinação para conter as mutações e o surgimento de variantes entre as estações do ano.

Notamos, também, alterações que mostram como a Secretaria Municipal de Saúde trabalha para cobrir clarões observados na primeira bateria da campanha.

A busca ativa por quem não foi tomar a segunda dose, a oferta de equipes na zona rural onde uma parcela da população teve dificuldades para agendar a vacina por falhas no acesso à internet, e a adoção desse modelo de agendamento - com os funcionários do Sistema Integrado de Saúde (SIS) ligando para a casa de quem tem mais de 85 anos para marcar a hora do atendimento, fazem parte da evolução de uma política que tende a se efetivar. Essas adaptações fazem parte de um aprendizado.  

As respostas apareceram bem ou mal. Num ritmo diferente do que ocorre diante da urgência das mudanças climáticas, que provocam uma aguda destruição, dores e mortes, mas ainda não conseguiram se tornar uma agenda mundial de sucesso. Na pandemia, todos se sentiram pequenos diante do vírus que não escolhe raça, gênero ou conta bancária. A redução dos casos e óbitos (ainda presentes) indica que a ciência fez valer a sua razão de ser. Agora, é zelar para que variantes como a Delta não anulem as duras lições acumuladas. Apesar de esperançosos, a história não nos deixa iludir: o homem repete muitos dos seus erros.

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