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EDITORIAL

Reabertura do PS do Luzia

Este jornal alertou sobre os prejuízos que inevitavelmente seriam sentidos com a restrição do acesso ao Pronto-Socorro do hospital estadual

O Diário
13/07/2022 às 10:44.
Atualizado em 14/07/2022 às 07:41

(Arquivo - O Diário)

Um ano depois da decisão de se restringir o acesso da população ao Pronto-Socorro (PS) do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, vale lembrar editorial e reportagens publicadas por este jornal alertando sobre os riscos de tal medida que, à época, promoveu inexpressiva reação da classe política e de prefeitos da região do Alto Tietê - houve um e outro que ate esboçou contratiedade, mas não a ponto de verdadeiramente surtir pressão e efeito junto à secretaria estadual de Saúde e ao governo do Estado. 

Qualquer unidade de saúde que se desmonte, mesmo que parcialmente, impacta nos demais equipamentos públicos e até privados, porque os serviços operam superlotados, à base da demanda reprimida, do sofrimento e espera enfrentados pelo paciente e seus familiares, e da forte pressão vividas pelas equipes médicas e hospitalares que não encontram, rápido, vagas para internação.

Sobre a decisão do fim da porta aberta do PS do Luzia, falou-se, à época, que ela foi tomada em conjunto com as secretarias de Saúde das prefeituras do Alto Tietê, inclusive a de Mogi das Cruzes. O argumento se baseiava no fato de as cidades terem melhorado a rede de UPAs. O problema é: na realidade, na porta e no interior desses serviços, a demanda é sempre acima da capacidade instalada.

Tanto que deu no que deu, na superlotação do PS da Santa Casa de Mogi das Cruzes, uma situação contida após a ameaçada de fechamento, mas que não se sustentará, por muito tempo, como disseram os responsáveis pelo hospital em entrevista publicada por este site, nesta terça-feira (12).

Os dirigentes do hospital disseram que, mesmo com o aumento de repasses financeiros, não há condições físicas de atender a demanda, se o PS do Luzia ou alguma outra alternativa, não for providenciada.

Moção da Câmara de Mogi das Cruzes, aprovada ontem, pede a reabertura do PS do Luzia nos moldes antigos. A pressão política, especialmente no atual momento, véspera de eleição para deputados e governador, pode favorecer resultado positivo.

O poder de decisão está nas mãos do governador Rodrigo Garcia para mudar algo que, desde o nascedouro, já indicava problemas futuros e como, de fato, ocorreu. 

Além da reabertura do PS, outra pendência precisa ser sanada ao mesmo tempo: o deficit de leitos hospitalares que, há tempos, torna insuportável a vida de médicos, enfermeiros e demais trabalhadores da saúde.  A longa espera por um lei determina o ritmo do tratamento, cura e o tempo de internação hospitalar. E, infelizmente, esse desmonte só não vem mais a público porque parece que a desilusão e o comodismo se tornaram tão fortes que muitas pessoas deixam de reclamar, cobrar direitos, defender a vida.

Nesse sentido, aliás, a decisão dos diretores da Santa Casa de expor os perrengues diários vividos pelas equipes do hospital foi importante. 

Agora, será testado o poder de articulação das lideranças locais para sanar uma situação que ainda não está resolvida.

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