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EDITORIAL

Queimadas disparam em julho. E daí?

O trágico do aumento das queimadas e dos fenômenos climáticos ligados ao aquecimento global é a demora de respostas da sociedade, do mundo, de cada um de nós, para se conter os riscos e preservar a vida

O Diário
04/08/2022 às 07:07.
Atualizado em 04/08/2022 às 08:23

Queimadas se proliferam nas cidades do Alto Tietê durante o mês de julho (Foto: divulgação / Artesp)

O forte cheiro deixado pelo fogo após queimar a vegetação e as cinzas que forraram quintais e ruas nas tardes e noites das últimas semanas já indicavam o que os registros do Corpo de Bombeiros confirmaram - julho foi o mês com o maior número de queimadas notificadas por moradores das cidades do Alto Tietê, sendo que a maior parte da área atingida está localizada em Mogi das Cruzes.

O número de queimadas aumentou cinco vezes em relação a junho, quando a secura dos dias e da mata já chamava atenção e a falta de chuva teve reflexo na cobertura verde e no armazenamento de água nas represas da região do Alto Tietê.

Reportagem de O Diário é pedagógica ao mostrar o tamanho desse desastre. De janeiro a julho, o Corpo de Bombeiros soma 218 ocorrências notificadas, sendo que mais da metade desse total, 127, tornaram julho o campeão nesse ranking extremamente preocupante. Para se comparar, em junho, que já foi um período marcado pela escassez de chuva, foram 26 casos.

As queimadas detonam a qualidade do ar e do solo, afetam a saúde das pessoas que passam a se tornar ainda mais vulneráveis às doenças respiratórias, e destroem sistematicamente um ecossistema regional sensível e ameaçado. Cidades como Mogi das Cruzes possuem em seus territórios remanescentes consideráveis da Mata Atlântica, onde a fauna e a flora depende da saúde da floresta para não serem extintos, sumirem de vez do planeta.

Mas, tudo isso, não tem força para mudar um quadro que passou a ser alvo cotidiano de preocupação - não apenas de fóruns, como a histórica ECO 92, no Rio de Janeiro, mas de qualquer cidadão que resida em bairros próximos da Serra do Itapeti, por exemplo.

O trágico do aumento das queimadas e de outros fenômenos climáticos ligados ao aquecimento global é a demora de se produzir respostas de peso para conter os riscos e preservar a vida. Faltam investimentos em pesquisas sobre como esse fato irá reduzir as populações mais pobres, a economia e a vida em áreas mais vulneráveis da Terra, no futuro. Faltam políticas públicas, nas cidades, para salvar o verde. Falta a conscientização de cada indivíduo sobre as pegadas ambientais danosas produzidas por uma geração.

O aumento das queimadas tem ligação, em grande medida, com as mudanças do clima, um fenômeno mundial que, nesta semana, levou cientistas a divulgarem novo alerta sobre a urgência de se deter a escalada do aquecimento, com o cumprimento de medidas governamentais que seguem mais no papel do que na realidade. Cientistas afirmam que o flagelo das altas temperaturas chegou mais cedo do que o previsto.

As consequências disso serão o aumento da intensidade de situações como a expansão do que já se sente - períodos mais longos de seca, chuvas intensas, incêndios de áreas de vegetação incontroláveis.

As previsões sobre o futuro da civilização saíram, mesmo, de dentro dos filmes e livros de ficção. Os reflexos da ocupação desordenada com a supressão da vegetação entram pelo nosso nariz, chegam em forma da fuligem dentro da nossa casa, assustam com os registros de um julho com temperaturas na casa dos 30 graus e recorde de queimadas.  

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