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EDITORIAL

Priscila Yamagami é prefeita de Mogi, por alguns dias

Mulher brasileira teve o direito a voto apenas na Constituição de 1932, a menos de 100 anos. Mogi levou mais de 460 anos para eleger uma vice-prefeita

O Diário Publicado em 12/11/2021 às 12:45Atualizado há 17 dias
Reprodução - Facebook Caio Cunha
Reprodução - Facebook Caio Cunha

A representatividade da mulher na política municipal brasileira não conseguiu sair da casa dos 12% nas últimas três eleições. Aliás, houve a perda de uma posição na comparação entre os resultados de 2012, quando elas ocuparam 659 prefeituras, e 2020, quando foram eleitas 658 prefeitas. A maior queda registrou o pleito de 2016, quando a abertura das urnas desidratou ainda mais esse terreno com 17 integrantes a menos (641 eleitas).

Se por um lado o número de candidaturas aumentou por força de uma imposição na liberação de recursos aos partidos que descumprem a cota mínima reservada ao sexo feminio, a aprovação popular acentua o perfil conservador e machista da sociedade brasileira tão escancarado na política, no mercado de trabalho, na diferença de salários.

O fosso ainda é mais profundo nas maiores cidades - que despertam  o interesse dos partidos pelo capital  financeiro e eleitoral na busca pelo poder. Entre os 5,6 mil municípios brasileiros, 96 deles possuíam mais de 200 mil habitantes em 2020. Apenas nove elegeram mulheres.

Entre as 658 mulheres eleitas, 33% são negras. Ante o histórico do último século no Brasil e o desrespeito imposto a mulheres assediadas dentro de prefeituras, câmaras e assembleias legislativas, como uma das maiores delas, a de São Paulo, o feito desse grupo se consolida. 

A mulher brasileira garantiu o direito a voto apenas na Constituição de 1932. Não tem um século. Antes disso, no entanto, uma lei estadual no Rio Grande do Norte permitiu que Alzira Soriano fosse eleita na cidade de Lajes em 1928 - um ato heróico que foi parar na imprensa internacional naquele ano.

Esses fatos e números contextualizam o que Mogi das Cruzes vive até o próximo dia 21, ainda que a prefeita Priscila Yamagami (PODE) responda interinamente pela gestão municipal enquanto Caio Cunha participa de um encontro com outros prefeitos na Espanha.

Ela foi a primeira vice-prefeita eleita na cidade. Em 2020, a professora universitária de 48 anos figurou entre as 885 mulheres que disputaram esse mesmo cargo em outras cidades brasileiras.

Onze meses após assumir o mandato é a primeira vez que ela responderá pela gestão municipal. Embora seja apontada como peça política e administrativa importante pelo titular do cargo, Priscila tem atuado mais nos bastidores.

O que poderá mudar porque ela terá oportunidade de mostrar a que veio e, quem sabe surpreender com uma marca mais efetiva desse curtíssimo período antes do ano que vem: ela é cortejada para ser candidata a deputada estadual. 

A cidade é conduzida pela primeira vez por uma mulher em quatro séculos. É algo inédito e relevante por romper com o padrão político dominado apenas por homens.

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