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EDITORIAL

Peixes mortos no Parque Morumbi. De novo

'O fiasco no combate ao que polui ou mata espécies no Parque Morumbi está conectado ao mesmo flagelo da destruição de recursos finitos, como a água, no planeta'

O Diário
21/10/2022 às 14:44.
Atualizado em 21/10/2022 às 14:44

Morador mostra peixe morto retirado do lago do Parque Morumbi (Arquivo Pessoal)

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EDITORIAL

Peixes mortos no Parque Morumbi. De novo

'O fiasco no combate ao que polui ou mata espécies no Parque Morumbi está conectado ao mesmo flagelo da destruição de recursos finitos, como a água, no planeta'

O Diário
21/10/2022 às 14:44.
Atualizado em 21/10/2022 às 14:44

Morador mostra peixe morto retirado do lago do Parque Morumbi (Arquivo Pessoal)

Há dez anos, moradores do Parque Morumbi denunciam a morte de peixes e os efeitos na poluição do que seria um atrativo do lugar, um belíssimo lago. E espécies da fauna e flora vivem na água podre nesta região de Mogi das Cruzes, vizinha de remanescentes da Mata Atlântica, no limite entre a cidade, Biritiba Mirim e Bertioga.

Em janeiro, vídeos com peixes mortos ganharam as redes sociais e foram destaque em reportagem de O Diário. Nesta semana, idem. .

O roteiro combatido por lideranças como o morador Décio Rodrigues Lopes e o promotor de Meio Ambiente, Leandro Guimarães Lippi, pouco se altera, embora a Prefeitura de Mogi das Cruzes, por meio do Semae, se comprometa em executar projeto elaborado a duras penas, e sob pressão do Ministério Público, para a despoluição das três nascentes há alguns anos.

Já há, agora, uma licitação concluída, que se fia na liberação de recursos financeiros prometidos a Mogi das Cruzes para tornar realidade o que tanto incomoda a população. 

A culpa da demora é o dinheiro, prometido pelo governo federal desde 2019, não chegar aos cofres municipais.

O fiasco no combate ao que polui águas, mata e extingue espécies da fauna e flora no Parque Morumbi está na mesma gênese do flagelo mundial dos outros recursos naturais finitos no planeta, como a água, o desaparecimento de biomas.

 O desalentador na crônica local dos apelos para se proteger esse lago é a falta de meios mais rápidos para se cumprir a lei ambiental e coibir, por exemplo, a expansão da ocupação dissociada do planejamento dos novos bairros, como o tratamento do esgoto ou a recomposição florestal dos quilômetros de árvores que são derrubados (ou queimados) para habitação ou agricultura.
Os moradores enfrentam outros dissabores como o mau cheiro. E para entender melhor o tamanho desse nó na vida nas cidades basta incluir nesta roda o fato de os cidadãos e a sociedade saberem que os próprios dejetos residenciais produzidos por eles são os responsáveis por efeitos tão nocivos. 

Essa é uma lição para a cidade - o círculo da ocupação urbana sem planejamento e lei tem preço. O complexo é a dificuldade de mudar esse rumo, deter os interesses comerciais. Agora mesmo, quando o eleitor vai definir o governador de São Paulo e presidente do Brasil, planos para se acelerar a despoluição dos rios e córregos sequer são apresentados. O interesse é a pauta religiosa. Ou quem engaja mais em podcasts. Uma insanidade!

O sofrimento dos peixes e catástrofes por detrás de realidades como aquecimento global e das mudanças no clima dão à natureza o tamanho que ela possui: o meio ambiente é um organismo incontrolável, o que torna obsoletas promessas, projetos dentro de gavetas, acordos de ocasião, e ainda mais incompreensíveis os meandros da Justiça que confirmam práticas criminosas contra o meio ambientes, mas editam sentenças que postergam a responsabilização dos que não deveriam deixar essa situação se prolongar tanto tempo sem o reparo dos danos.

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