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TEMPOS SOMBRIOS

Pancadaria na UPA do Oropó: tolerância zero

As cenas da selvageria em uma unidade de saúde dizem muito sobre os desafios dessa "epidemia" da violência social e urbana

O Diário
07/11/2022 às 15:33.
Atualizado em 07/11/2022 às 17:40

Violência na Upa do Jardim Oropó foi compartilhada nas redes e confirma o tamanho do desafio para se instalar uma cultura de paz nas relações entre as pessoas e até instituições (Reprodução/Redes sociais)

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TEMPOS SOMBRIOS

Pancadaria na UPA do Oropó: tolerância zero

As cenas da selvageria em uma unidade de saúde dizem muito sobre os desafios dessa "epidemia" da violência social e urbana

O Diário
07/11/2022 às 15:33.
Atualizado em 07/11/2022 às 17:40

Violência na Upa do Jardim Oropó foi compartilhada nas redes e confirma o tamanho do desafio para se instalar uma cultura de paz nas relações entre as pessoas e até instituições (Reprodução/Redes sociais)

Há de se esclarecer a origem das cenas de violência, com socos, pontapés e cadeiradas, que aconteceram no turno da madrugada do dia 31 de outubro na UPA do Jardim Oropó, em Mogi das Cruzes.

Os órgãos responsáveis por esse serviço público que foi uma grande conquista para os moradores daquela região da cidade devem à comunidade um amplo esclarecimento sobre o desentendimento e as agressões que se seguiram e tinham, entre os envolvidos, uma mulher uma criança pequena.

Sem som, as imagens mostram as cenas de agressõe físicas de dois ângulos, desde o início da discussão entre uma mulher, com uma criança nos braços, e a chegada de um dos acompanhantes dela que, logo após, também bate-boca com um profissional que estava sentado na porta da unidade de saúde.

É tudo tão surreal. A começar pelo endereço de tal registro: um lugar onde o cidadão vai porque procura pelo tratamento ou cura de dores e doenças. 

A partir da primeira agressão física, a gravação revela a dificuldade dos seguranças (que são chamados pelo INTS de controladores de porta) para lidar com uma situação que saiu fora do controle, expondo os demais profissionais e pacientes que são vistos deixando a recepção durante o corre-corre.

O flagrante acompanha os socos, pontapés e cadeiradas desferidos contra os dois populares, e empurrões contra mulher, além da preocupação - louvável de colaboradoras de manter a criança a salvo - e daqueles que tentam colocar fim à confusão (o que não é demonstrado porque as imagens vão somente até a saída dos acompanhantes, da mãe, e dos dois trabalhadores da UPA.

Esse caso requer um rápido esclarecimento inclusive, com a participação dos setores da Secretaria de Assistência Social da Prefeitura: afinal em meio a tudo aquilo estava uma criança pequena.

Sem ouvir esses detalhes - o que mesmo ocorreu? -, é impossível opinar.

A Prefeitura e o Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde, INTS, afirmam que os dois profissionais foram demitidos imediatamente. Ambos os órgãos prometeram apurações e o esclarecimento dos fatos.

Não se esperava outra coisa senão a política de tolerância zero contra toda e qualquer violência. É isso que deseja o cidadão que poderia ter, ali dentro da UPA, um pai ou uma mãe, esperando por um atendimento, à mercê de também levar um soco ou cadeirada.

A demissão dos servidores é a primeira medida. Mas, esse fato, aliado a outros - como os relatos de outros servidores que atuam nas UPAs que permanecem abertas 24 horas e se sentem inseguros para trabalhar, precisam gerar outras providências, como a capacitação constante dos profissionais e a melhoria do fluxo de chegada dos pacientes. 

A conquista destes serviços para o sistema público de saúde é algo também inegociável. Por isso, esse assunto é tão complexo. Há de se preservar a integridade física dos trabalhadores e dos frequentadores sempre.

O ritmo galopante da violência gratuita, vista hoje em diferentes ambientes sociais, demandará, cada vez mais, investimentos em inteligência e programas de prevenção contra essa epidemia de agressões, xingamentos e desintendimentos nos espaços físicos (e até virtuais). 

Isso requer pulso firme, mas legal. A segurança segue como um dos maiores e mais urgentes desafios da gestão pública brasileira. Basta ver o que ocorreu - e ainda está ocorrendo, agora, com o rescaldo dos bloqueios e atos antidemocráticos que não estão sendo debelados mais rápida e exemplarmente, para prevenir prejuízos maiores. O preço dos ataques à democracia é alto demais para todos.

A selvageria dentro de uma UPA, os bloqueios nas estradas, ou  mesmo a série de invasões, vandadlismos e perdas nos Postos de Saúde de Mogi das Cruzes, são grandes pedras no sapato do poder público e da sociedade - que tem papel crucial em não inflamar e até promover ações para conter os indivíduos dispostos a tumultuar ou agredir o outro. 

Ao estado, cabe as estratégias preventivas e também o cumprimento da lei para que a impunidade não siga alimentando a desordem pública. À sociedade cabe refletir sobre os passos que a coletividade precisa dar para barrar tanta violência.

Unidas, essas duas partes têm um grande trabalho pela frente para pacificar as pessoas nos espaços privados (e, aqui, tudo começa na família) e públicos, nas escolas e até nas unidades de saúde onde, no passado, a principal característica era o silêncio e a condição de respeito ao outro que estava em situação de sofrimento e dor. Hoje, não mais. 

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