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EDITORIAL

Os 50 anos do festival agrícola do Cocuera

O Furusato Matsuri, realizado pela Associação dos Agricultores, é uma das marcas do associativismo e da força da agricultura em Mogi das Cruzes

O Diário
12/11/2022 às 07:20.
Atualizado em 12/11/2022 às 09:00

O festival Furusato Matsuri chega aos 50 anos e representa a força da agricultura do Cocuera e de Mogi das Cruzes (Arquivo)

Vamos à história, ciência ímpar  para comprender o presente e o passado e combater a forte pressão pelo apagamento das memórias, modos e costumes de viver, moldados pelos ventos da pós-verdade. O conhecimento, a alma da história, é âncora vital contra tanta coisa absurda e irreal que se tem falado e propagado há algum tempo. Recorremos a ela para dizer que o Furusato Matsuri, festival agrícola cinquentenário que acontece neste final de semana, em Mogi das Cruzes, é algo maior do que o congraçamento entre agricultores, moradores do Cocuera e as gerações subsequentes aos isseis, os imigrantes japoneses.

Essa festividade sempre apresentou ao mercado as inovações tecnológias e novidades na cultura de alimentos que ranqueavam o nosso Cinturão Verde entre os maiores produtores de  hortitifrutis e granjeiros do Estado e do País. 

Conta o ex-prefeito Junji Abe que, em 1974, o governador Laudo Natel foi um dos visitantes da 1ª Festa do Pêssego e da Avicultura de Mogi das Cruzes, promovida pela Associação dos Agricultores de Cocuera, defensora dos interesses da comunidade agrícola (a entidade está a 4 anos de completar um século).

Naquela década, Mogi despontava na produção nacional de fruta depois que as propriedades de Itaquera, passaram a ter como fim a moradia.

Itaquera foi uma liderança nacional superada pelos fruticultores mogianos. A presença do governador naquele e em anos seguintes credenciava a força política e social da associação de Cocuera, de outras entidades de bairros e do setor.

Pragas redirecionaram a produção da cidade para o plantio de nêspera, caqui e goiaba e a diversificação de culturas de verduras e flores.

Contra toda sorte de políticas governamentais desfavoráveis, o setor se mantém representativo, mesmo com a redução das terras cultiváveis - primeiro, na década de 1970, com a construção as cinco barragens, e logo após, com a saída do campo da terceira geração (sanseis) que optaram por outras áreas de trabalho.

Todo o encadeamento desses fatos foi assimilado pela Associação dos Agricultores de Cocuera que, há 30 anos, quando o pêssego já era página virada, inovou. O festival foi rebatizado com o nome Furusato Matsuri e surgiu com um contexto marcante - a valorização da cultura japonesa, uma expressão com destaque na agricultura, óbvio, mas fortalecida por outros segmentos como a gastronomia e a arte.

O Furusato Matsuri chega aos 30 anos (a festa agrícola a meio século) e mira algo intransponível, ao menos, por enquanto: a diminuição das antigas famílias que vivem no bairro, que só não foi ainda mais ocupado por imposição de leis ambientais.

A entidade se vê diante da renovação dos quadros e tem, até aqui, legado à história de Mogi a boa lição do associativismo, como ocorreu com os primeiros imigrantes, que se uniram para sobreviver. O festival muda, aos poucos. O aparato artístico, com nomes de fora da cena nipobrasileira é confirmação disso. Porém, o cuidado com o princípio da entidade, a agricultura, não é esquecido e atores políticos são esperados: prefeito, deputados, cônsul e autoridades da Secretaria Estadual de Agricultura, tal como no início desta bela trajetória comunitária.

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