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Onde nascer? Um drama regional que nunca tem fim

Bastou fechar a Santa Casa de Suzano para obras e gestantes voltam a enfrentar a demora no hospital de Mogi, que é referência para o Alto Tietê

O DiárioPublicado em 21/10/2021 às 15:24Atualizado há 1 mês
Santa Casa de Suzano fechou para obras, o que alterou a rotina na Santa Casa de Mogi / Irineu Junior - Prefeitura de Suzano
Santa Casa de Suzano fechou para obras, o que alterou a rotina na Santa Casa de Mogi / Irineu Junior - Prefeitura de Suzano

Uma reclamação pontual de uma família que observou as falhas e a alta demanda por atendimento no plantão noturno da Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes reabre ferida nunca cicatrizada na rede pública de saúde regional.

Desde o último dia 8, quando a Santa Casa de Misericórdia de Suzano fechou para a realização de obras, o hospital mogiano, referência para gestantes e mulheres em tratamento ginecológico no Alto Tietê, nota o crescimento da fila de espera por atendimento.

Embora o planejamento indique que as pacientes de Suzano devam ser direcionadas para outras cidades,  a proximidade com Mogi das Cruzes, na hora de uma urgência, é a opção dos pais pela facilidade para chegar até um médico.

Na noite de quarta-feira, em uma cadeira simples, uma mulher esperou o dia nascer para fazer uma ultrassonagrafia e constatar um aborto. O caso foi registrado na Polícia, a Provedoria da Santa Casa prometeu providências. Impossível medir o sofrimento dessa gestante.

O problema não deverá ser estancado antes da reabertura do hospital suzanense que em 2016 foi enredo de um dramático fechamento por falta de condições de atendimento. 

Naquele ano, em apenas três dias, 216 mulheres de Suzano foram atendidas em consultas ou partos em Mogi. 

Esse recorte, ainda que desatualizado, fala por si sobre a demanda cotidiana desse setor que nunca foi deverasmente  objeto de uma política pública capaz de corrigir os danos sofridos pela parte mais frágil nessa operação em busca de tratamento, onde estão as mulheres grávidas, seus maridos e familiares.

Na gestação, a mulher deveria ter um tratamento de prioridade, excelência, humanização. Isso não é vivido pelas gestantes. 

Ter um filho não é fácil. Os relatos costumam ser de apreensão e estresse sofridos por profissionais e pacientes. Há tempo contado para desocupar o leito. Se nao for assim, os índices de queixa, desaprovação e, o mais grave, de perdas severas ou fatais aumentam porque a maternidade pública opera sem fôlego, sem vagas para todos e com poucos profissionais como a família Gonçalves sentiu na pele e contou a este jornal.

Mogi está perto de abrir a segunda maternidade. Será bem-vinda. Porém, há de se cuidar para que o serviço seja ampliado e dê atenção ao futuro da Santa Casa, que é regional. Para o bem das mães, bebês e todos nós.

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