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EDITORIAL

O pronto-socorro de Mogi

'Passa da hora de se mudar os ventos para salvaguardar esse patrimônio da saúde pública regional criado em 1843 pelo padre Antonio Cândido Alvarenga'

O Diário
01/07/2022 às 15:06.
Atualizado em 01/07/2022 às 18:21

Fechamento do P.S da Santa Casa afetará toda a cidade (Divulgação/SCMC)

Antiga pedra no sapato na prestação de serviços da Santa Casa de Misericórdia - que não poucas vezes permaneceu fechado por problemas financeiros e administrativos, novamente o Pronto-Socorro (PS) está no centro de uma discussão sobre o contrato mantido por meio de um convênio firmado entre a Prefeitura e o hospital décadas atrás.

O SUS, gestão tripartite que institui deveres aos três entes da Federação - governos federal, estadual e municipal -, determina que o atendimento de urgência e emergência fique nas mãos do município (que acaba respondendo pelo atendimento a moradores de outras cidades). A se manter a decisão da direção da filantrópica que nesta quarta-feira (6) completa 149 anos de fundação, a Prefeitura terá de buscar alternativa para cumprir a sua parte em um latifúndio minado por arranjos nem sempre justos e simples.

Um exemplo cabal: os serviços hospitalares de alta e média complexidade (cirurgias, diagnósticos e outros) pagos pela Federação deveriam garantir a sobrevida das Santas Casas - que, até aqui, fizeram muito pelo socorro aos mais pobres ou desprotegidos por planos de saúde, no caso, a maioria dos cidadãos. A tabela SUS não cobre os custos e as filantrópicas se viram como podem e vivem de chapéu na mão, pedindo ajuda e emendas parlamentares.

Esse movimento de sufocamento do sistema público é antigo e casa, agora, com deficiências e a redução do uso da medicina privada. 
Passa da hora de se mudar os ventos para salvaguardar esse patrimônio da saúde pública regional criado em 1843 pelo padre Antonio Cândido Alvarenga.
Sem dinheiro novo e para o custeio, com administrações descontinuadas e enxutas, as Santas Casas, como um todo, são reféns dos repasses públicos para quitar a conta, quase sempre fechada no vermelho.

As ameaças e os fechamentos do PS ou as crises na maternidade mantêm a Santa Casa sempre em um estado de fritura. Gestores são trocados, direções e grupos médicos que ali atuam, idem, e a raiz dos problemas - que inexoravelmente está atada ao desamparo federal, mas também à falta de transparência e até profissionalização da gestão - não é cortada, curada.

Claro que o desejo é pelo diálogo e o acerto entre a Prefeitura e Santa Casa, com cada um priorizando um bem maior contido na missão inicial dessa casa de saúde, que não visa lucro: o cidadão doente.

A Prefeitura afirma que o teto acordado corresponde quase ao terço do que era pago antes, e que a prestação de contas não chegou a esse limite. É preciso que a Santa Casa não deixe dúvida quanto a isso. 

O momento é delicado para a gestão da saúde porque o mundo vive sob o domínio da pandemia e mudanças recentes, como o fim da porta aberta do PS do Luzia de Pinho Melo, ainda são entendidas pelos pacientes e pela rede pública. 

A torcida é para que as partes foquem no principal: a saúde dos mogianos e moradores do Alto Tietê, que têm a Santa Casa em alta consideração. 

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