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OPINIÃO

O lixo no Rio Tietê é reflexo da desordem ambiental

Há décadas, Mogi luta por um calendário de desassoreamento compatível com a necessidade de se preservar a fauna e flora ribeirinha. A cidade não tem sucesso nessa empreitada

O Diário Publicado em 10/11/2021 às 09:37Atualizado há 20 dias
Prefeitura afirma que irá providenciar a limpeza de trecho com lixo, ao lado do Parque Centenário / Anderson Prado - DIvulgação
Prefeitura afirma que irá providenciar a limpeza de trecho com lixo, ao lado do Parque Centenário / Anderson Prado - DIvulgação

Com um programação de depoluição mais lenta do que a própria correnteza do rio, o Tietê é exemplo acabado da impunidade, imprudência e negligência com o meio ambiente, o clima, a terra.

Ele é tão sujo e mal visto que uma grande quantidade de lixo parece ter sido jogada em um trecho da região central sem qualquer temor e culpa.

Ainda será preciso investigar melhor a origem das garrafas e outros produtos plásticos emaranhados à vegetação existente no leito, nas proximidades do Parque Centenário.

Pela quantidade, pode ser que essa sujeira não seja resultado do lixo individual, jogado por pessoas aleatoriamente nas ruas e levado para ali pela chuva.

Esse lixo pessoal, digamos assim, também encalha em bancos de areia e na vegetação que não é sinal de saúde, longe disso, é sintoma do aumento da poluição.

Seja qual for a origem da sujeira, a depender da lentidão dos governos municipal e estadual para agirem e tratarem desse patrimônio doente, esses flagrantes vão continuar se repetindo.

Aliás, a troca de responsabilidades sobre quem vai retirar essa sujeira pontual, exatamente como aconteceu no passado recente, mas no trecho do Jardim Rodeio, mostra que mudam os gestores, só não muda o péssimo exemplo de descomprometimento com o bem-estar público.

Há décadas, Mogi luta por um calendário de desassoreamento compatível com a necessidade de se preservar a fauna e flora ribeirinha. A cidade não tem sucesso nessa empreitada. Trechos dimunutos são limpos, em processos que levam anos para serem autorizados e realizados. Agora mesmo, se espera uma intervenção rio acima, entre César de Souza e Biritiba Mirim. A área mais centralizada continuará suja. 

Sem avanço potente no programa de despoluição, essas limpezas miúdas não surtem efeito. O Tietê segue imundo, fétido, malquisto pelos vizinhos, distante da população e da sociedade.

Semana passada, cães mortos foram despejados em terreno baldio em Jundiapeba. Agora, aparece esse lixo no rio, ao lado da principal atração turística e de lazer da cidade, o Parque Centenário.

O despejo irregular de detritos e até corpos de animais tornou-se algo banal, impune.

A Prefeitura pede denúncias. É um caminho. Não a solução. O estado falha na educação ambiental e as pessoas falham quando convivem com ataques à natureza sem reagir. Fecha-se um círculo que vira circo quando o presidente Bolsonaro diz inverdades sobre a proteção das florestas brasileiras no fórum mundial sobre as mudanças climáticas. O lixo no rio reflete toda essa desordem.

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