MENU
BUSCAR
EDITORIAL

O interesse pela biblioteca da Braz Cubas

As bibliotecas vão se adaptar aos hábitos de leitura com a entrega de acervos digitais e manutenção de conjuntos menores e ainda mais qualificados de títulos

O Diário Publicado em 07/01/2022 às 07:22Atualizado há 14 dias
Foto: divulgação
Foto: divulgação

Houve interessante procura pelo acervo de publicações disponibilizado para doação pelo Centro Universitário Braz Cubas, de Mogi das Cruzes. Cerca de 700 pessoas, segundo o primeiro balanço divulgado pela instituição, demonstraram interesse em receber os livros.

São mais de 101 mil títulos prontas para trocar de endereço, ter novos tutores e leitores, cumprir novas finalidades.

A medida, segundo a direção do grupo Cruzeiro do Sul, proprietário atual da Braz Cubas, não significará o fim de uma das mais antigas bibliotecas de Mogi das Cruzes e região, que começou a ser montada em meados do século passado, quando ninguém imaginava que os livros seriam digitalizados e lidos na palma da mão.

Não cabe julgamento sobre a decisão de distribuir do acervo que sempre esteve ao alcance dos alunos e comunidade. 

O futuro das bibliotecas, assim como os demais segmentos ligados à indústria do papel, livros, jornais e revistas, se molda ao ritmo do comportamento humano e da tecnologia. 

Essa é uma trajetória mais ampla, que está na base de outras mudanças em curso nos meios de consumo, produção e compartilhamento de informações e conhecimento humano.

As bibliotecas vão se adaptar aos hábitos de leitura com a entrega de acervos digitais e manutenção de conjuntos menores e ainda mais qualificados de títulos. Essa cadeia está na mesma pegada à relacionada ao papel? Será o fim do livro em papel? Do jornal? Há quem diga que a resposta é apenas uma questão de tempo.

Na história, as bibliotecas são fonte primária de pesquisa, documentação e transmissão do conhecimento. Terão função em todos os países, e, no nosso, em particular, porque o acesso à tecnologia da informação (TI) é extremamente desigual e lenta. 

As aulas online, há pouco tempo, na pandemia, escancaram o fosso existente entre a população de cidades, mesmo as mais ricas e digitais.

Essa distância é um dos relevos do debate sobre o nível educacional  e do ensino brasileiro. Antes de gostar de ir à biblioteca, o invíduo tem de ter intimidade com o livro e a leitura, gostar da escola.

 Embora seja assunto tenha muitas camadas, o passo dado pela Braz Cubas e a reação de interesse das pessoas servem para pontuar o seguinte: há espaço para esse assunto na agenda das centenas de pessoas que foram  motivadas a se inscreverem para conhecer o acervo que está sendo doado até fevereiro. Revela ainda que há campo para outras possibilidades dentro da cidade, como a formação de bibliotecas comunitárias em bairros mais afastados dos endereços mais tradicionais (Benedito Sérvulo de Santana, Braz Cubas e UMC) com vocação atuar de maneira decisiva na construção de um futuro com mais livros e leitura.

ÚLTIMAS DE Editorial