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EDITORIAL

O alerta dos “serráqueos”

O relato de moradores e especialistas não deixa dúvida sobre quanto Mogi e a biodiversidade perdem com o uso e ocupação indiscriminados da Serra

O DiárioPublicado em 03/09/2021 às 08:04Atualizado há 25 dias
Divulgação - 'Serráqueos'
Divulgação - 'Serráqueos'

Filme mogiano premiado em festivais, “Serráqueos” transpôs o fechado terrítório de exibição de documentários frequentado por um público alternativo e amante da cultura e do cinema independente, ao ser apresentado pela primeira vez, no dia do aniversário de Mogi das Cruzes, na TV Diário, canal de televisão aberto e com potência para garantir a audiência de cerca de 200 mil pessoas na Sessão da Tarde. A obra foi para a sala do cinema do Mogi Shopping, no mesmo dia.

A TV Diário firmou uma bem-vinda parceria com os criadores da produção dirigida por Rodrigo Campos para exibir, pela primeira vez, em 21 anos, uma produção independente local.

Por si, uma peça cinematográfica independente no Brasil governado por Jair Bolsonaro, que demoniza e desmonta intencionalmente a produção cultural nacional, chegar à casa dos mogianos é uma vitória. Se um filme nacional, na Sessão da Tarde, não é alguma coisa ordinária, então um filme nascido regionalmente por força da Lei de Incentivo Municipal (LIC) nos leva a registrar algo muito, mas muito raro e excepcional. 

Some, ainda, outro signo de resistência e profissionalismo da equipe e entrevistados reunidos para levar a Serra do Itapeti ao cinema: a película teve a pré-estreia em dezembro do ano passado, no meio de uma pandemia e entra no circuito de documentários nos meses que antecederam o pior da série de cinco incêndios da Cinemateca Brasileira, ocorrido neste ano, em São Paulo.

O objeto de Serráqueos é a Serra do Itapeti, seu modo de ser e viver, sua gente e belezas. A serra simboliza a tradição caipira que trava batalha contra tudo o que ela representa e que norteia o homem da cidade - a conversa entre compadres e vizinhos, as festas religiosas e profanas compartilhadas com o pouco que se tem, o relógio do tempo marcado pelas estações da natureza. Essa vida se recicla há séculos entre as estradinhas de terra neste remanescente da Mata Atlântica, que está desaparecendo do planeta. 

A voz dos moradores da região em franca expansão populacional não deixa dúvida sobre quanto Mogi perde com o uso e ocupação indiscriminados e criminosos da Serra. O selo da obra de Rodrigo Campos e de pesquisadores ouvidos é o da luta preservacionista. Eles revelam fatos como o manejo sustentável executado por novos “serráqueos” enquanto a destruição segue como ameaça. A realidade é a alma do cinema documental. Em Serráqueos, a ficção ficou de fora.

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