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EDITORIAL

Memórias indigestas

"Durante décadas, a CPTM e o Governo de SP agiram para eliminar todas as passagens de nível entre São Paulo e Suzano. Mogi foi relegada ao ttulo de “fim de linha”, no pior sentido possível"

O Diário Publicado em 04/01/2022 às 08:32Atualizado há 17 dias

Uma decisão judicial, em liminar, postergou por dois meses o fechamento da passagem para pedestres no trecho da linha do trem na rua Dr. Deodato Wertheimer, e ainda expôs a negligência e o despreparo da gestão estadual no trato com o cidadão e o serviço operado por ele. Ao fechar o acesso sob a alegação de melhoria, com a redução de um minuto o intervalo entre os trens da rota Luz-Estudantes, o Governo de São Paulo escolheu socorrer o transporte ferroviário e, de novo, desamparar o morador de Mogi das Cruzes. 

Não fosse a reação popular e política da cidade, e o entendimento da Justiça, muito provavelmente hoje o acesso estaria fechado.

Desde a década passada, Mogi das Cruzes convive com o descaso da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Esperar bom senso da estatal é besteira. Os quatro terminais rodoviários estão fora do padrão de modernização e melhorias da CPTM. Um deles sequer possui banheiro para o público (uma obra que, enfim, está sendo licitada).

Estamos em 2022. O Governo de São Paulo é o mais rico do país. Desde meados de 2010, quando a Prefeitura de Mogi das Cruzes muito suou e passou o chapéu para conseguir construir a segunda passagemsubterrânea, a CPTM sabe da exclusão dos pedestres da região central com a retirada, inclusive, da carcaça da passarela que operava na rua Cabo Diogo Oliver.

A promessa era: Mogi construiria o Complexo Viário Jornalista Tirreno Da San Biagio, enquanto a CPTM cuidava de executar um projeto com o recuo da estação atual e a construção de escadas rolantes que uniriam as duas pontas do centro e ainda o Terminal Central de ônibus.

O tempo passou, e nada. Opa, nada, não, a CPTM resolveu reduzir ainda mais a segurança dos pedestres que terão de se acotovelar na travessia da rua Cabo Diogo Oliver.

Durante décadas, a CPTM e o Governo do Estado agiram para eliminar todas as passagens de nível entre São Paulo e Suzano. Mogi foi relegada ao título de “fim de linha”, no pior sentido possível.

Foi com muita, mas muita luta mesmo que os trens melhores e mais rápidos começaram a circular a partir da estação Jundiapeba porque não havia condições técnicas, alegavam os burocratas da CPTM, para isso. Não havia vírgula, como se diz. Bastou o ex-governador José Serra entender o clamor e a exclusão de Mogi, e os primeiros horários começaram a atender aos passageiros mogianos.

Claro, não interessa a Mogi minar os planos para encurtar as viagens de trem. Mas, não há como fechar aos olhos para a região dos bairros Centro, Mogilar e parte da Vila Industrial que ficará ainda mais isolada. Milhares de trabalhadores, estudantes e moradores usam travessia diariamente.

Planejamento, respeito ao cidadão e a Mogi, como sempre, zero.

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