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OPINIÃO

Mais solução, menos cena

Mogi das Cruzes caminha por um terreno tenso e movediço - a cidade não pode abrir guarda para novas ocupações e invasões, sob o risco de atrair mais levas de pessoas fora do balcão da moradia popular, sem ter como acolher a todos. Também não pode fechar os olhos a esse drama social.

O Diário
30/04/2022 às 12:32.
Atualizado em 30/04/2022 às 12:32

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Mais solução, menos cena

Mogi das Cruzes caminha por um terreno tenso e movediço - a cidade não pode abrir guarda para novas ocupações e invasões, sob o risco de atrair mais levas de pessoas fora do balcão da moradia popular, sem ter como acolher a todos. Também não pode fechar os olhos a esse drama social.

O Diário
30/04/2022 às 12:32.
Atualizado em 30/04/2022 às 12:32

São gravíssimas as acusações feitas pelo delegado Toriel Sardinha, secretário de Segurança Pública de Mogi das Cruzes, sobre a venda de barracos e lotes em ocupações como a ocorrida no terreno municipal da Vila São Francisco, a participação do crime organizado e também de vereadores e ex-vereadores no incentivo à prática irregular. Se há indícios desses crimes, o poder público tem obrigação de apresentá-los e denunciá-los à Justiça.
Como disse a autoridade na casa de leis, “quem invade comete crime. Está no Código Penal. Quem incentiva é partícipe deste crime”. 
Toriel Sardinha respondeu a 44 perguntas em uma turbulenta e lamentável sessão da Câmara Municipal, de onde se extrai mais a conduta desrespeitosa, entre gritos e a troca de acusações, e as confirmações sobre o que já se sabe - a cidade é alvo diário de tentativas de invasões de terra não é de hoje, nem de ontem - do que respostas concretas e soluções em curso para deter os conflitos de terra e cuidar dos mogianos sem casa para morar.
Mogi das Cruzes caminha por um terreno tenso e movediço - a cidade não pode abrir guarda para novas ocupações e invasões, sob o risco de atrair mais levas de pessoas fora do balcão da moradia popular, sem ter como acolher a todos. Também não pode fechar os olhos a esse drama social.
 Recursos técnicos e humanos precisam ser direcionados para fiscalizar e conter a pressão por moradia exercida sobre o território como o de Mogi, tão farto em imóveis públicos e privados desocupados. 
Uma segunda Vila São Francisco amplificaria o desafio que o poder público tem nas mãos: hoje, ali, residem mais de 700 pessoas, boa parte crianças e jovens.  
A Prefeitura afirma que nem todas as pessoas na área não têm teto e uma parte veio de outras cidades. Nos parece que esse deveria ser o foco do Executivo e do Legislativo - o que a cidade vai fazer para conter essa tendência confirmada pelas 85 tentativas de invasões frustradas desde o ano passado, sem repetir os erros vistos até aqui. A truculência e a violência não resolverão isso. 
Outro ponto a conferir: Mogi tem exemplos ruins testados, como a construção das casas do Conjunto Jefferson, em César de Souza. Naquele tempo, optou-se por retirar os moradores da beira do rio e levá-los para área distante, isolando a comunidade em região sem ônibus e sem asfalto. O problema não foi resolvido. 
Há uma expectativa positiva sobre o anúncio de um programa para habitação em Mogi, prometido pelo prefeito Caio Cunha.
No Brasil, onde a miséria e a pobreza só crescem, a moradia é questão grave a ser tratada com urgência e seriedade, não com jogo de palavras e cena. A cidade e as famílias enredadas nesse drama terrível, sem emprego, comida ou endereço, não merecem isso.

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