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EDITORIAL

Mais fome, mais miséria

Levantamento da Secretaria de Assistência Social de Mogi mostra que, agora, 59 mil famílias vivem em situação de insegurança alimentar e vulnerabilidade social

O Diário
27/09/2022 às 18:26.
Atualizado em 27/09/2022 às 18:26

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EDITORIAL

Mais fome, mais miséria

Levantamento da Secretaria de Assistência Social de Mogi mostra que, agora, 59 mil famílias vivem em situação de insegurança alimentar e vulnerabilidade social

O Diário
27/09/2022 às 18:26.
Atualizado em 27/09/2022 às 18:26

Enquanto a propaganda e os debates eleitorais das Eleições 2022 pouco avançaram em pautas concretas e mal falaram sobre o maior drama social brasileiro hoje - a fome e o aumento da miséria e da pobreza, cresce a base das famílias que passaram a ser ainda mais dependentes de auxílios governamentais nos últimos dois anos. É estarrecedor o balanço mais recente divulgado pela Secretaria Municipal de Assistência Social sobre o aumento de 27 para 32% do total da população que vive em situação de vulnerabilidade e busca ajuda para viver com o mínimo em Mogi das Cruzes.

Os números atualizados no decorrer dos últimos meses indicam que 59 mil famílias estão inscritas em programas sociais - entre esses núcleos, há a subdivisão de renda para a definição de pobreza ou miséria.

Houve um aumento de 19% da miséria e da pobreza em Mogi das Cruzes entre 2019 e 2022 - um em cada 5 mogianos está nesse grupo - em números totais, são estimadas cerca de 100 mil pessoas. 

O mais dramático quando se olha para essa escalada em três anos é a ausência de um debate sério e comprometido sobre o que o Brasil fará, a partir do próximo ano, para reduzir a desigualdade social exposta pela pandemia, mas criada no decorrer dos séculos entre as classes sociais no país. 

Para além dos números, fala sobre essa crise humanitária tão grave o aumento de pessoas pedindo comida e ajuda na ruas e nas organizações sociais que divedem, com o poder público, a responsabilidade de remediar os danos sociais impostos pelos fracassos dos governos em reduzir as diferenças sociais.

Por mais que a crise sanitária tenha retirado debaixo do tapete os gravíssimos quadros criados pelo flagelo da precariedade do ensino [em 2019, quatro a cada 10 jovens não terminavam a educação regular] e do desemprego, as políticas socioeconômicas protegem mais uns do que os outros não é de cinco, dez anos atrás.

Propostas reais para combater esse desequilíbrio no acesso à escola, emprego, saúde e moradia ficaram longe dos discursos da maior parte dos candidatos, o que torna mais desalentador olhar para o crescimento da miséria e fome na nossa cidade.

Por mais que a construção da rede municipal de assistência social seja concreta  - a ponto de famílias e grupos, como o representado pela população de rua, para cá se mudarem - a aceleração da pobreza e da miséria exige mesmo são respostas dos governos estadual e federal.

Na semana que a cidade ganhou o segundo restuarante do Bom Prato, em Jundiapeba, o equipamento chegou após longa espera - o primeiro foi inaugurado em 2006 e, desde lá, já havia demanda para uma outra unidade. Porém, esse sistema, por exemplo, assiste uma pequena parte da população que passou a viver no colchete da insegurança alimentar - o que são dois mil pratos diários, na hora do  almoço, para a cidade que soma um grupo de 57 mil famílias que, para viver, precisam de auxílio governamenta?

Muito mais terá de ser feito para atender uma realidade que resulta do ciclo de pobreza imposto às crianças e jovens nasciddos há  decadas atrás, e se tornaram os adultos e idosos pobres de hoje.

O país depende desses novos ou reeleitos governantes, presidente, governadores e deputados - para acabar com esse ciclo.

Esse pode ser um bom parâmetro para o eleitor avaliar e escolher quem vai eleger neste domingo (2). O que o seu candidato propõe para diminuir a pobreza e a miséria?

Não se trata de generalizar - mas quem tem governado ou elabora e fiscaliza as leis no Brasil está por detrás desse quadro que apequena, envergonha, empobrece e mata tantos brasileiros por falta de acesso à educação, saúde, emprego e moradia. Nunca é demais registrar isso.

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