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EDITORIAL

Leitor sugeriu a reversão na João XXIII

'Não existe saída para esse processo de ocupação urbana vivido em regiões como César, porque a rapidez do adensamento não é acompanhada por obras e infraestrutura'

O Diário
30/03/2022 às 07:20.
Atualizado em 30/03/2022 às 11:56

Na manhã desta terça-feira, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana testou o sistema na avenida João XXIII (Eliane José)

Em fase de teste, a reversão do trânsito em faixas das avenidas Pedro Romero, Miguel Gemma e João XXIII foi ideia lançada pelo advogado Elias Tomé em uma entrevista dada ao jornalista Darwin Valente, de O Diário, em outubro do ano passado.

A sugestão foi divulgada e recebeu dezenas de comentários - contra e a favor. Ao tomar conhecimento, o prefeito Caio Cunha (PODE) disse que estudaria a possibilidade.

Elias Tomé se valeu de um exemplo da Capital., onde a operação é adotada em algumas vias para reduzir a pressão dos congestionamentos.

Alguns meses depois e o primeiro teste com reversão ocorreu na via perimetral, entre César de Souza e o Rodeio.

São modelos que poderão - ou não, se confirmarem como solução paliativa para esses e outros corredores.

O crescimento da frota de veículos e do uso do carro desacompanhado de rotas viárias compatíveis com a expansão urbana torna, o trânsito, um conflito de primeira linha em cidades como Mogi das Cruzes.

 No caso dos cerca de 45 mil moradores de César de Souza (estimativa de 2020), as alternativas para ir e vir se restringem apenas a três corredores (Perimetral, João XXIII e Francisco Rodrigues Filho).
Nesta terça-feira (29), a reversão na João XXIII mostrou aquilo que moradores e usuários do entorno, no período da manhã, conhecem de perto.

 A concentração dos carros, caminhões e ônibus se dá entre 7 e 8 horas. Quem vinha para o centro encontrou mais facilidade. Já quem ia para César de Souza enfrentou lentidão, antes não observada.
Não existe saída para esse processo de ocupação urbana vivido em regiões de Mogi, como César de Souza. A rapidez do adensamento não é acompanhada por obras e investimentos públicos. O resultado são falhas surgidas pela incapacidade das redes de serviços públicos (escolas, creches,  segurança, saúde, fiscalização e outros) de atender demandas extras criadas pelo aumento populacional.
Enquanto os projetos  do Viva Mogi (antigo Mogi + Ecotietê) não saírem do papel e mais casas, apartamentos e negócios forem gerados, a ausência do poder público será exposta.

Voltemos ao exercício de cidadania de Elias Tomé ao divulgar uma ideia que pode não ser definitiva para esse drama,  porém, se constitui em reação contra uma situação ruim partilhada por milhares de moradores.

Pontualmente, valerá o bom senso para se esperar e até cobrar ajustes e o amadurecimento das medidas.

A supervalorização do transporte individual  - não apenas pelo uso do carro ao invés do ônibus ou trem, mas da moto e bicicleta - impõe esse estado de caos e lentidão às mal planejadas cidades brasileiras. Apesar disso, a cidade seguirá sendo consruída pelo cidadão, como fez Elias Tomé, ao propor uma sugestão para uma demanda coletiva.

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