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FALSAS NOTÍCIAS

Fuga era fake news, já os acidentes na Ponte Grande, não

O Diário esclareceu que a tentativa de fuga de detidos a caminho do Taboão era uma noticia falsa. Já os casos de acidentes envolvendo caminhões, na Ponte Grande, são verdadeiros e exigem mais do poder público

O Diário
31/05/2022 às 07:17.
Atualizado em 31/05/2022 às 07:35

Acidente ocorrido na tarde de ontem, na Ponte Grande, revelou a apreensão de moradores com o tráfego de caminhões pela via perimetral (Fábio Palodette)

Em coisa de duas horas, na tarde de ontem, começou a ser esclarecido o boato sobre uma fuga de detentos a caminho do Centro de Detenção Provisória (CDP). A notícia começou a se espalhar por vídeos feitos no local de um acidente, na avenida Lothar Valdemar Hoehne, na altura da Ponte Grande. O acidente, de fato, acontecera e trouxe à tona uma situação real: os riscos e os conflitos de trânsito acompanhados por moradores e trabalhadores naquela região da via perimetral, em Mogi das Cruzes.

As notícias falsas são a tradução para as fake news, situação que se popularizou ainda mais a partir da eleição americana que colocou Donald Trump e Hillary Clinton em um embate marcado por rumores e partes de notícias transformadas em posts viralizados por robôs e internautas, e que tiveram peso na decisão sobre quem iria presidir os Estados Unidos. Trump foi quem venceu.

Esse fenômeno se alastra em assustadora  velocidade pelas redes sociais e afeta todos os setores da sociedade: economia, saúde, política, educação, afetando grandes populações e grupos pequenos de indivíduos.

Na pandemia, o cruzamento de duas características da internet - a rapidez na transmissão das informações e o alcance de uma determinada publicação, fez nascer o termo "Infodemia", lançado pelo diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, o biólogo e acadêmico Tedros Adhanom Ghebreyesus. Ele destacou que o excesso de informações sobre a pandemia que ocorreu nos primeiros meses era um dos grandes desafios para o combate do novo coronavírus.

Na prática, todas as pessoas receberam - e, infelizmente, uma parte delas acreditou, mensagens que diziam que um médico tal, de um país distante, como França, indicou chás milagrosos ou compostos farmacêuticos (como a cloroquina e outros) para tratar a nova doença, o que não se configurou como eficaz.

As 'grandes' falsas noticias impactam o mundo, o mesmo acontece com as 'pequenas' mentiras, com o detalhe, essas últimas têm o poder de criar pânico em comunidades, como bairros, distritos ou cidades. Nos últimos meses, Mogi das Cruzes tem experimentado esse fenômeno com informações mentirosas sobre ataques em escolas ou, como ocorreu na tarde de ontem, sobre a inexistente fuga de presos, que teria terminado com mortes e feridos.

A reportagem de O Diário esteve na avenida Lothar Valdemar Hoehne e mostrou que um acidente realmente aconteceu, envolvendo  um caminhão e um carro de uma motorista - um fato, aliás, que tem sido registrado com apreensão por moradores da região.

Caminhões em alta velocidade têm sido flagrados em situações que exige atuação e respostas da Prefeitura - antes que o pior aconteça.

Essas notícias inverdadeiras trabalham para maquiar a realidade, e costumam ser usadas para desestabilizar a sociedade e favorecer grupos  ou pessoas com intenções políticas ou econômicas, no mais das vezes.

Cabe, além do fortalecimento da imprensa séria e comprometida e dos cuidados de cada cidadão, ao republicar ou passar à frente algo que não se sabe ou fonte, ou tenha a certeza, rever uma análise do sociólogo polonês Zugmund Bauman (1925-2017), para quem, entre outras coisas, as relações entre as pessoas tendem a ser cada vez menos frequentes e menos duradouras.

Sobre a sociedade atual, ele afirmou:“É um tipo de sociedade que não mais reconhece qualquer alternativa para si mesma e, portanto, sente-se absolvida do dever de examinar, demonstrar, justificar (e que dirá provar) a validade de suas suposições tácitas e declaradas”.

Um norte que se impõe como um algo muito arriscado: quanto menos as pessoas examinam, justificam e provam o que dizem, mas o mundo seguirá à mercê de situações que, em questão de minutos, impõem medo, terror e outras sandices.

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