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OPINIÃO

Emprego desacelera

Resultado do saldo entre as contratações e demissões de janeiro a abril confirma dificuldades para decolar a economia em tempos de guerra e pandemia

O Diário
08/06/2022 às 09:29.
Atualizado em 08/06/2022 às 09:29

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Emprego desacelera

Resultado do saldo entre as contratações e demissões de janeiro a abril confirma dificuldades para decolar a economia em tempos de guerra e pandemia

O Diário
08/06/2022 às 09:29.
Atualizado em 08/06/2022 às 09:29

Pelo quarto mês consecutivo, o Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados (Caged) obtém resultado positivo no Brasil, embora a desaceleração na retenção dos trabalhadores nas empresas e prestadores de serviços seja marcante.

Em abril, Mogi das Cruzes registrou um total de 5.015 carteiras chanceladas com a admissão de empregados, porém, 4.390 pessoas resolveram o terrível "você está demitido". O saldo de 625 contratações foi o terceiro maior deste ano: em março, a diferença positiva foi de 884 e em fevereiro, o melhor período de 2022, 1.056. Janeiro teve a pior performance com 487 admissões.

A análise do Caged não pavimenta horizonte tão promissor porque reforça um cenário de retenção da produção e investimentos. A economia segue enredada pelos reflexos da guerra, do preço do petróleo, inflação, eleições e argumentos outros.

A movimentação favorável, óbvio, alenta, mas é preciso fazer jus à desesperança aos 4,3 mil mogianos que foram dispensados pelo patrão e  não sabem, quando serão recolocados.

A carteira assinada, menos mal, dá o estofo do seguro-desemprego - mas há um prazo de validade deste benefício.

Nas últimas semanas, um indicador sobre o humor e os ventos da economia local não deslancha. O serviço Mogi Conecta Empregos segue com vagas restritas à procura por uma ou duas pessoas para a maioria esmagadora dos cargos.

Quando a busca é um pouco maior, como 30 operadores de telemarketing ou 200 costureiras sem experiência para trabalhar na divisa com Itaquá e Arujá, como está acontecendo nesta semana, o piso salarial é o mínimo, o que confirma uma realidade conhecida no município - o emprego existe, mas para salários baixos. No caso do mínimo, hoje, com esse recurso o cidadão mal consegue cobrir o valor da cesta básica de abril, calculado em uma parceria entre o Procon de São Paulo e o Dieese (Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticos Socioeconômicas).

A cesta com 39 produtos emitia uma nota fiscal no caixa dos supermercados, em abril, de R$.1.209,00, com alta de 6,3% em relação a março. O salário mínimo está em R$1.212,00. Aluguel, nem pensar.

A cidade permanece com um estoque de trabalhadores com carteira assinada acima da casa dos 100 miil - para ser exato, segundo o Caged, 103.710 empregados. 

Políticas públicas que precisariam ser mais  rápidas na entrega de resultados municipalizados, são afetadas por uma conjuntura que atinge as demais cidades brasileiras com o mesmo cacife de Mogi (localização, mão de obra especializada, boas áreas com infraestrutura apropriada - aliás, esse último item tem sido um inibidor para a chegada de investimentos).

Para além do nosso quintal e agruras particulares (o nosso Taboão, por exemplo, ainda deve muito em infraestrutura básica, a capacitação profissional ainda não chega a todos), especialistas e economistas não vislumbram boas notícias sobre o crescimento  real da economia brasileira até o próximo ano. Até lá, pequenos resultados como esse ganham estatura porque a cena poderia ser ainda pior.

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