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OPINIÃO

Em meio à crise, Santa Casa completa 179 anos

Há de se buscar, logo, o diálogo e soluções para estancar uma crise que, segundo relatos da direção da Santa Casa, tem raízes para fora do Pronto-Socorro

O Diário
06/07/2022 às 14:22.
Atualizado em 06/07/2022 às 18:22

Santa Casa completa 179 anos e busca meios de sanear dívidas para cumprir missão de socorrer os mais pobres (Arquivo - O Diário)

A Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes completa, nesta quarta-feira (6), 179 anos de fundação e serviços prestados à população mais carente, que não possui plano de saúde e nem acesso a outros serviços . Não é nenhuma novidade, mas, neste aniversário,  uma crise anunciada desde o ano passado, quando já houve uma ameaça de o hospital abandonar a parceria com a Prefeitura de Mogi das Cruzes, marca de maneira preocupante a efeméride de um patrimônio da saúde pública municipal e regional.

Com problemas financeiros semelhantes aos vividos por outras Santas Casas pelo País afora, o hospital mogiano confirma a intenção de romper a prestação de serviços do PS, ao mesmo tempo que anuncia planos de investir em um novo prédio, no local usado como estacionamento, e na busca de pacientes privados e de convênios médicos.

Os investimentos, segundo a direção e conselho da Santa Casa, visam sanear dívidas e possibilitar a manutenção da porta aberta ao paciente público.

Há de se buscar soluções para o que poderá penalizar a população - mesmo se levando em conta que um novo serviço pode ser aberto no Hospital Municipal de Braz Cubas.

A projeção de adensamento populacional de Mogi das Cruzes, para o futuro próximo, irá exigir mais serviços de saúde, e não o fechamento de portas e leitos.

Com tradição no socorro de emergência, a Santa Casa afirma que  o PS tem funcionado 250% acima de sua capacidade - o que é um risco, e, tão grave quanto isso, sem o recebimento pelos serviços prestados quando o paciente precisa ficar internado, esperando pela lliberação de uma vaga pela Central de Regulação da Oferta de Serviços de Saúde, o CROSS.

Há de se exaurir os canais de diálogo e de apuração para se esclarecer o que está no nascedouro de mais essa crise e chegar a respostas sobre o que interessa: o que pode ser feito para não fechar um PS que muito fará falta para a região central e leste da cidade, levando-se sempre em consideração, que a eliminação do livre acesso do PS do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho, mesmo com o crescimento da rede de UPAS, reduziu a potência que a cidade possui para atender as urgências e emergências.

A Santa Casa, como outros serviços públicos e privados de saúde, tem dificuldades financeiras e administrativas. Porém, é um bem comunitário de grande prestígio junto à população. É a porta de entrada para as mulheres grávidas de Mogi das Cruzes e outras cidades. É referência para o setor de ortopedia. Reduzir esse leque é temerário.

Desde o início dessa crise, a presença do Ministério Público, serena os ânimos sobre o fim desse impasse de maneira mais rápida, e de mais maneira mais justa e equilibrada, e não pautada por quaisquer outros interesses de grupos, pessoas ou políticos. Essa proximidade das eleições torna, essa crise, ainda mas sensível.

O que está em jogo é a saúde do mogiano, a tranquilidade da cidade em ver, se for possível, mais portas se abrindo, e não o contrário.  O que a cidade espera é o abraço a pautas conjuntas para melhorar, por exemplo, o poderio de atendimento do Luzia. Quem sabe abrir mais leitos no Hospital Dr. Arnaldo, que assim trabalhou, emergencialmente, na pandemia.

Qualquer equipamento a menos desmonta ainda mais esse combalido sistema justo nessa hora de retomada da rotina de consultas e cirurgias que ficaram paradas, por força da pandemia, durante mais de dois anos.

Infelizmente, o que seria um aniversário para projetar os 180 anos de atividades, se tornou mais uma delicada e triste sombra na trajetória da Santa Casa. O que não quer dizer, no entanto, que esse projeto, cuja missão inicial era cuidar do pobre e desvalidado, não vá dar a volta por cima. 

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