Entrar
Perfil
EDITORIAL

Dias e noites de frio e fome

O Diário conta a história de Claudinei Dias, desempregado mogiano que se soma aos milhares de brasileiros que passaram a viver a insegurança alimentar nos últimos meses, e destaca a importância da parceria firmada entre entidades e a Secretaria de Assistência Social de Mogi no inverno que começa nesta terça-feira (19)

O Diário
20/06/2022 às 16:44.
Atualizado em 20/06/2022 às 16:45

O canal Inspire-se mostra o trabalho de voluntários que distribuem alimento a milhares de pessoas na cidade (Crédito: Mariana Acioli)

Destaque em reportagem no canal Inspire-se, de O Diário, ganha ainda mais relevância a parceria entre a sociedade civil organizada e o poder público para combater a fome e o frio no inverno que começa nas primeiras horas desta terça-feira (21). 

O aumento da fome no Brasil que chega a 6 em cada 10 famílias, segundo o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, torna, ainda mais sensível, o relato do coordenador do Centro-Pop de Mogi das Cruzes, Osni Damásio, que assiste o crescimento da circulação de pessoas em situação de rua na cidade e certifica a importância dos grupos e organizações que se solidarizam e trabalham em favor dos mogianos que estão dentro desse universo.

É no frio que a exclusão ou a opção feita pela parcela da população que vive nas ruas torna ainda mais dramático o drama da orfandade social desse contingente em crescimento nas cidades metropolitanas brasileiras. Mogi das Cruzes recebe uma parte desse grupo flutuante que consegue aqui chegar pelo transporte ferroviário.

Há uma informação acalentadora dada por Osni Damásio. Segundo ele, ao contrário do que já se ouviu - e ainda se ouve na boca de muitas pessoas que repreendem esse tipo de ajuda -, a Secretaria Municipal de Assistência Social tem tratado como parceiros os projetos que distribuem alimentos e roupas a esse público. 

A pasta reconhece o valor de distribuir o alimento nas noites mais frias ou aquecer a quem sente frio, e também entende que esse trabalho faz ainda mais: ajuda a monitorar a origem e a condição desses indivíduos idosos, jovens e crianças assistidos pelos voluntários.

O coordenador do Centro POP afirma que esse tipo de monitoramento ajuda o desenvolvimento de políticas públicas e, mais do que isso, no atendimento imediato a crianças ou idosos que estejam desassistidos em direitos básicos como o acesso à escola ou à saúde pública.

Esse posicionamento confirma a importância de se levar o alimento e o agasalho a essas pessoas, especialmente nas próximas semanas, quando o frio eleva as possibilidades de registros fatais como a cidade, infelizmente, possui em sua crônica recente.

"A gente orienta que quando eles encontrarem um idoso, por exemplo, que nos passem a informação, porque podemos focar lá naquele local. Entendemos que há as diferenças etárias. Criança, adolescente e idoso são prioridades e precisamos ir atrás”, detalha o coordenador, informando ainda que as iniciativas acabaram se tornando um facilitador na hora de encaminhar a pessoa em situação de rua ao acolhimento", afirma Osni.

O Inspire-se também contou a história do morador Claudinei Dias, que não vive nas ruas, mas recebeu um prato de alimento servido por voluntários do Instituto Sopa. Na conversa com a reportagem, Claudinei contou uma situação pessoal que encurta  a distância entre a vida real, vivida por muitas pessoas, e os dados constrangedores da pesquisa sobre a insegurança alimentar no Brasil - atualmente, 14 milhões de brasileiros passaram a ter mais dificuldade para se alimentar e a enfrentar a fome.

“Fui mandado embora da empresa em que trabalhava e agora estou tentando um outro lugar para ficar pelo menos uns seis meses, até o final do ano, para me ajudar com os empréstimos que pago”, afirmou Dias, acrescentando que, apenas com os remédios para a companheira que passou a tratar do Alzheimer, ele gasta R$ 500,00.

Segundo a pesquisa, mais da metade da população brasileira (58,7%) convive com a insegurança alimentar em algum grau – leve, moderado ou grave( que é a fome), o que levou o país a regredir no combate ao problema - esse mesmo patamar havia sido constatado na década de 1990.

A hora de fazer algo para reduzir o impacto da insegurança alimentar na vida e na saúde dessas pessoas é agora. Além de doar, entender o que será preciso fazer para mudar esse quadro pode salvar vidas, minimizar doenças e tornar a cidade mais inclusiva. Esse, aliás, é um dos objetivos do Inspire-se: inspirar as pessoas a tornar o mundo melhor.

Conteúdo de marcaVantagens de ser um assinanteVeicule sua marca conoscoConteúdo de marcaConteúdo de marca
O Diário de Mogi© Copyright 2022É proibida a reprodução do conteúdo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por