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EDITORIAL

De onde és? De Mogi

Mesmo quando a saúde e a sobrevivência são a ameaça número um, mogiano entrega o espírito de luta e união em defesa dos interesses do território onde vive

O DiárioPublicado em 26/08/2021 às 19:11Atualizado há 1 mês
Parabéns Mogi das Cruzes!  / Arquivo O Diário - Eisner Soares
Parabéns Mogi das Cruzes! / Arquivo O Diário - Eisner Soares

A data de fundação de uma cidade costuma aflorar em algum ponto da consciência do cidadão o sentimento de apropriação e pertencimento do espaço aonde nasceu ou escolheu para viver, trabalhar, criar família, laços sociais, e um dia descansar.

Mogi das Cruzes nos dá um vastíssimo campo para esse exercício na quarta-feira, 1º, quando são comemorados os 461 anos do ato que a tornou a 13ª vila fundada no Brasil. Vivemos na 13ª cidade mais antiga do País.

A pandemia e as crises climática, econômica, política e ideológica tornam esse “pensar a Mogi do passado, do presente e do futuro” ainda mais instigante.

 Esses quadros globais influenciam na tomada de decisões e rumos locais e na busca do que todo morador deseja: uma cidade boa para viver. Está neste conceito uma característica que os mogianos lutam para manter.

Já pensou nisso? Mesmo quando a saúde, a vida e a sobrevivência são a ameaça número um, provocadas pelo terrível vírus, o mogiano entrega o espírito de luta e união em defesa dos interesses do território onde vive, o que explica o lugar alcançado pelo município na régua inviolável dos indíces socioeconômicos. Ou a cidade é boa para morar, prosperar, ou não.

Na batalha contra essa ideia despudorada do governo do Estado de faturar em cima do mogiano com o pedágio na Mogi-Dutra, em meio a esse furacão de dúvidas, dívidas e urgências pessoal e coletiva, um evento no Teatro Vasques reuniu as principais lideranças sociais e políticas da cidade. A presença do público durante a apresentação da pesquisa sobre o que irá prejudicar o nosso futuro serve para medir a consciência e a identidade comunitária do povo mogiano. 

Mogi das Cruzes merece cuidados. Ela não é a melhor cidade. A melhor cidade não existe. Existe a melhor cidade para os seus moradores.

No diálogo de rua entre um policial e uma criança registrado pelo jornalista e escritor português Baptista-Bastos (1959-2017), em Lisboa Contada pelos Dedos, encontramos o norte que Mogi merece ter. 

“ - De onde és?

   - de Lisboa

   - Sim, mas de onde, de que sítio?

    - De toda.”

Mogi tem defeitos, desafios. Sobretudo na orfandade dos pobres, miseráveis e moradores de rua e de casas sem água, esgoto e luz. Há débitos intragáveis no desequilíbrio social entre os seus mais de 450 mil habitantes. Porém, há encanto, charme, potencial e uma gente disposta a defendê-la. O sonoro Não ao Pedágio é cirúrgico para captar esse sentido.

Há 63 anos, este jornal testemunha e noticia o poderio de articulação e representatividade que a cidade construiu no caminhar para o quinto século de vida. 

Parabéns, Mogi! Você nos dá orgulho.

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