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EDITORIAL

Crescer, sem inchar

Mogi das Cruzes, mesmo com números superlativos, ainda tem o jeito de uma cidade menor do que é

O DiárioPublicado em 03/09/2021 às 14:58Atualizado há 24 dias
Em 2021, Mogi chega à 53ª posição entre as maiores cidades brasileira / Arquivo
Em 2021, Mogi chega à 53ª posição entre as maiores cidades brasileira / Arquivo

A linha de crescimento populacional de Mogi das Cruzes estabilizou-se na casa dos 6,3 mil novos habitantes entre 2010 e 2020, com as supreendentes taxas de 17,42% na primeira década do milênio, e 16,25% nos dez anos seguintes.

A se confirmar a tendência de evolução populacional brasileira e municipal, o jornalista Castro Alves, especialista em estatísticas e pesquisas, projeta a chegada de mais 73,2 mil habitantes até 2030. Nessa data, poderemos ser 524.037 mogianos.

Na véspera do aniversário de 461  anos de fundação, o mais recente retrato do tamanho das cidades brasileiras poderia seduzir mais e não ser motivo de reflexão e preocupação se a notícia sobre quantos moram na “casa” mogiana trouxesse como bônus a resposta de um milhão de dólares (em reais, nem pensar diante da inflação, recessão mundial e instabilidade política nacional). 

A pergunta é simples: como o poder público e a sociedade organizada desempenharão o papel de prover e distribuir com eficiência, justiça e a igualdade social os serviços públicos e os demais imperativos  urbanos (emprego, trânsito, qualidade ambiental, e outros) que diferem uma cidade de outra? 

Em 2021, Mogi chega à 53ª posição entre as maiores cidades brasileiras com uma população estimada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) com 455.587 moradores, um crescimento de 1,07% e índices de desenvolvimento social e econômico, verdade seja registrada, robustos. Aliás, são as aferições sobre riqueza, mercado de trabalho, educação, saúde, saneamento e outros que explicam os motivos pelos quais tantas pessoas deixam suas terras originárias para morar em território alheio.

Migrações humanas se justificam pela busca de melhor condição de sobrevivência e vida. 

Mogi das Cruzes mesmo com números superlativos ainda tem o jeito de cidade menor do que é, mas com identidade forte o bastante para não ser confundida com vizinhos que perderam raízes e tradições para a rápida conurbação de uma das maiores regiões metropolitanas do mundo. 

A atração de moradores, muitos pressionados pela falta de moradia e trabalho na capital, se converte em um problema crescente com as ocupações irregulares. E, não falamos aqui,  apenas das famílias sem-teto. 

Por mais que a governança da cidade venha dando passos para calçar o território de forma sustentável, os riscos de um inchaço urbano são indesmentíveis. Para este jornal, esse é o maior desafio de Mogi: cuidar de si como se fosse uma casa, onde cada novo filho ganha a mesma porção de respeito, comida, teto e amor.

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